Entre seus personagens proféticos mais intrigantes do livro de Apocalipse está a figura conhecida como a Segunda Besta, descrita em Apocalipse 13.
Enquanto a primeira Besta que emerge do mar geralmente recebe grande atenção por sua associação com o Anticristo e o sistema político dos últimos dias, a segunda Besta muitas vezes é menos compreendida, apesar de desempenhar um papel igualmente importante nos eventos finais da história humana.
Ao longo dos séculos, inúmeras interpretações surgiram sobre sua identidade.
Alguns acreditam que ela representa um sistema religioso mundial. Outros defendem que simboliza uma liderança espiritual corrompida.
Há quem a associe a instituições específicas, enquanto outros entendem que ela será um indivíduo real que aparecerá durante o período da Grande Tribulação.
O que torna essa figura tão importante é que ela atua diretamente na promoção da primeira Besta.
Seu objetivo não é governar o mundo politicamente, mas convencer as pessoas a seguirem e adorarem o governante descrito em Apocalipse 13.
Por essa razão, muitos estudiosos futuristas a identificam como o Falso Profeta, uma figura religiosa global que servirá como braço espiritual do governo do Anticristo.
Neste estudo, vamos analisar cuidadosamente a descrição bíblica da Segunda Besta, examinar as principais interpretações teológicas sobre sua identidade, entender por que muitos a identificam como o Falso Profeta e avaliar uma das teorias mais populares dos últimos tempos: a ideia de que os Estados Unidos poderiam ser essa misteriosa figura profética.
índice desta publicação:
ToggleA descrição bíblica: Manso como cordeiro, duro como dragão.
A principal descrição da Segunda Besta aparece em Apocalipse 13:
“Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão.” (Apocalipse 13:11)
Esse versículo é extremamente rico em simbolismo.
A primeira Besta surge do mar, símbolo frequentemente associado às nações e aos povos. A segunda Besta surge da terra, indicando uma origem distinta.
Mas o aspecto mais impressionante está em sua aparência.
Ela possui aparência de cordeiro.
No livro de Apocalipse, o cordeiro normalmente representa Jesus Cristo.
João Batista declarou:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29)
A Segunda Besta, portanto, apresenta uma aparência de mansidão, espiritualidade e legitimidade religiosa.
Ela parece inocente.
Parece confiável.
Parece falar em nome de Deus.
Mas João faz uma observação alarmante:
“Falava como dragão.” (Apocalipse 13:11)
O dragão foi identificado anteriormente como Satanás:
“Foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás.” (Apocalipse 12:9)
Isso significa que sua aparência é enganosa.
Externamente parece um cordeiro.
Internamente fala segundo a inspiração do dragão.
Essa é uma das maiores características do engano espiritual nos últimos dias.
Jesus alertou:
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Mateus 7:15)
A descrição da Segunda Besta parece ecoar exatamente essa advertência de Cristo.
Ela não se apresenta como inimiga da fé.
Ela surge usando linguagem espiritual, aparência religiosa e autoridade moral.
Seu perigo está justamente em sua capacidade de enganar.
Charles Spurgeon escreveu:
“Satanás raramente aparece como inimigo declarado; geralmente ele vem disfarçado de amigo.” (Charles Spurgeon)
Essa observação descreve perfeitamente o papel da Segunda Besta em Apocalipse.
Quem é a Segunda Besta? As 4 linhas teológicas.
Ao longo da história da interpretação bíblica, quatro grandes correntes procuraram explicar a identidade da Segunda Besta.
A interpretação preterista.
Os preteristas entendem que grande parte das profecias do Apocalipse foi cumprida no primeiro século.
Segundo essa visão, a Segunda Besta estaria relacionada às autoridades religiosas e políticas que colaboravam com o Império Romano para promover o culto ao imperador.
Nesse contexto, ela representaria os mecanismos religiosos utilizados para sustentar a autoridade imperial.
A interpretação historicista.
Os historicistas enxergam o Apocalipse como um panorama da história da Igreja ao longo dos séculos.
Muitos reformadores identificaram a Segunda Besta com sistemas religiosos que, segundo eles, teriam se afastado dos ensinamentos bíblicos.
Essa interpretação foi bastante comum durante a Reforma Protestante.
A interpretação idealista.
Os idealistas entendem que a Segunda Besta simboliza qualquer forma de falsa religião ou propaganda espiritual que conduza as pessoas para longe de Deus.
Nessa visão, ela não é necessariamente uma pessoa específica.
Ela representa o espírito do engano religioso presente em diferentes épocas da história.
A interpretação futurista.
A interpretação futurista, amplamente adotada por dispensacionalistas modernos, entende que a Segunda Besta será um personagem real que surgirá durante os eventos finais.
Ela atuará como líder religioso global e trabalhará diretamente para promover o governo do Anticristo.
John Walvoord escreveu:
“A Segunda Besta é o principal líder religioso do período da Tribulação e o promotor da adoração ao Anticristo.” (John Walvoord, The Revelation of Jesus Christ)
Essa interpretação se harmoniza com as demais passagens proféticas que mencionam o chamado Falso Profeta.
A identidade revelada: O Falso Profeta.
A razão pela qual muitos estudiosos identificam a Segunda Besta como o Falso Profeta é que o próprio Apocalipse parece fazer essa conexão explicitamente.
Em Apocalipse 19 lemos:
“Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta, que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem.” (Apocalipse 19:20)
Observe os detalhes.
O texto descreve alguém que realiza sinais.
Promove a adoração da Besta.
Engana os habitantes da Terra.
Exatamente as mesmas funções atribuídas à Segunda Besta em Apocalipse 13.
João escreve:
“Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra diante dos homens.” (Apocalipse 13:13)
Esses milagres não têm como objetivo glorificar Deus.
Seu propósito é legitimar o governo do Anticristo.
O texto continua:
“Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta.” (Apocalipse 13:14)
A missão principal da Segunda Besta não é política.
É religiosa.
Ela cria uma estrutura espiritual que leva a humanidade a aceitar o governo mundial do Anticristo.
Dwight Pentecost escreveu:
“Assim como João Batista preparou o caminho para Cristo, o Falso Profeta preparará o caminho para o Anticristo.” (J. Dwight Pentecost, Things to Come)
A comparação é impressionante.
João Batista apontava para Jesus.
O Falso Profeta apontará para a Besta.
João Batista conduzia pessoas à verdade.
O Falso Profeta conduzirá pessoas ao engano.
Essa figura exercerá enorme influência espiritual durante os últimos dias.
Os Estados Unidos são a Segunda Besta? Analisando a teoria.
Entre as inúmeras teorias modernas, uma das mais populares sugere que os Estados Unidos seriam a Segunda Besta de Apocalipse 13.
Essa interpretação ganhou força principalmente entre alguns intérpretes futuristas independentes.
Os defensores dessa ideia geralmente apresentam alguns argumentos.
Primeiro, observam que a Segunda Besta surge da terra, e não do mar.
Alguns sugerem que isso indicaria uma nação relativamente isolada das antigas massas populacionais do mundo.
Segundo, apontam para o símbolo nacional dos Estados Unidos: a águia.
Argumentam que os dois chifres poderiam representar dois grandes princípios históricos da nação, frequentemente identificados como liberdade civil e liberdade religiosa.
Terceiro, observam a enorme influência política, econômica, militar e cultural exercida pelos Estados Unidos no cenário global.
No entanto, essa teoria enfrenta dificuldades significativas.
O texto bíblico nunca menciona explicitamente qualquer país moderno.
Além disso, a função principal da Segunda Besta é religiosa e não política.
Sua missão consiste em promover a adoração da primeira Besta.
Isso se encaixa muito mais naturalmente em uma liderança espiritual global do que em uma superpotência nacional.
Outro problema é que a Bíblia apresenta a Segunda Besta como alguém que realiza sinais sobrenaturais e exerce uma autoridade espiritual específica.
Essas características são mais compatíveis com um líder religioso do que com uma nação.
Por essa razão, a maioria dos estudiosos futuristas tradicionais não identifica os Estados Unidos como a Segunda Besta.
Eles entendem que a Segunda Besta será um indivíduo conhecido posteriormente como o Falso Profeta.
Charles Ryrie escreveu:
“A Segunda Besta parece claramente ser uma pessoa que exerce autoridade religiosa em apoio ao Anticristo.” (Charles Ryrie, Basic Theology)
Embora a teoria envolvendo os Estados Unidos seja popular em alguns círculos proféticos, ela permanece altamente especulativa.
Conclusão: Mantendo os olhos na Palavra.
A Segunda Besta de Apocalipse 13 é uma das figuras mais importantes da escatologia bíblica.
Ela aparece com aparência de cordeiro, mas fala como dragão. Sua missão não é estabelecer seu próprio reino, mas promover a adoração da primeira Besta e conduzir o mundo ao engano espiritual.
As diferentes correntes teológicas oferecem explicações distintas sobre sua identidade. Contudo, a interpretação futurista entende que ela será o personagem posteriormente identificado como o Falso Profeta.
Segundo essa compreensão, o Falso Profeta exercerá influência religiosa global, realizará sinais extraordinários e convencerá multidões a seguirem o governo do Anticristo.
Entretanto, o objetivo principal dessas profecias não é alimentar especulações sem fim.
Jesus nunca ordenou que seus discípulos vivessem obcecados tentando identificar cada personagem profético antes do tempo.
Ele ensinou algo muito mais importante:
“Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.” (Mateus 24:42)
A verdadeira preparação para os últimos dias não consiste em descobrir nomes, países ou datas.
Consiste em permanecer firme na verdade de Deus.
O mundo poderá ser enganado por sinais, discursos e falsas promessas de paz.
Mas aqueles que conhecem profundamente as Escrituras estarão preparados para reconhecer o erro.
Por isso, mais importante do que descobrir quem será o Falso Profeta é permanecer fiel ao verdadeiro Profeta, verdadeiro Sacerdote e verdadeiro Rei: Jesus Cristo.
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17)











