Você acredita na existência da Arca de Noé? A narrativa bíblica é clara: há aproximadamente 4.300 anos, uma inundação sem precedentes teria coberto toda a Terra, e apenas um homem, sua família e um conjunto selecionado de animais sobreviveram para reiniciar a civilização humana.
Para nós, cristãos, essa história não é apenas simbólica, ela carrega peso histórico, espiritual e doutrinário. No entanto, muitos a veem como um desafio à ciência tradicional e às interpretações comuns sobre a história do planeta. Como, então, conciliar fé, arqueologia e evidências históricas?
A verdade é que a ideia de um Dilúvio global e de uma grande embarcação construída por Noé não se sustenta apenas na Bíblia. Existem tradições, registros históricos e indícios extrabíblicos preservados por diversas culturas antigas que reforçam esse relato.
Foi buscando essas respostas que iniciei uma pesquisa ampla e detalhada, reunindo materiais históricos, arqueológicos e culturais relacionados ao Dilúvio e à Arca de Noé.
A partir deste primeiro estudo, você terá acesso a uma coletânea de informações que revelam evidências surpreendentes da existência e do impacto desse evento em diferentes povos e civilizações ao redor do mundo.
Vamos explorar detalhes muitas vezes ignorados sobre a Arca e o Dilúvio, comparando relatos antigos, analisando descobertas arqueológicas e examinando argumentos científicos. Tudo isso para construir uma visão sólida, coerente e bem fundamentada sobre um dos episódios mais extraordinários da história humana.
índice desta publicação:
ToggleQuestionamentos e duvidas que a história da Arca de Noé levanta.

Quando analisamos a Arca de Noé com atenção, percebemos que esse episódio desperta uma série de perguntas, muitas delas perfeitamente legítimas.
O Dilúvio descrito em Gênesis levanta questões naturais, históricas e logísticas que parecem desafiar a compreensão comum. Entre elas estão os seguintes pontos:
- De onde veio toda a água que cobriu até os montes mais altos?
- Se o Dilúvio ocorreu há cerca de 4.300 anos, por que essa data nem sempre coincide com certas evidências geológicas?
- Como Noé conseguiu acomodar todos os animais necessários?
- Como alimentá-los durante mais de um ano?
- Como impedir que predadores atacassem presas, ou até mesmo sua família dentro da Arca?
- E, ao final do Dilúvio, como esses animais sobreviveram em um mundo totalmente devastado?
Céticos, ateus e até cristãos sinceros apresentam questionamentos válidos, mas existem respostas plausíveis para praticamente todas essas dúvidas acompanhadas de evidências bíblicas, científicas, históricas e arqueológicas.
O que a Bíblia nos diz sobre a Arca de Noé?

Para começar a desvendar a história da Arca de Noé, devemos primeiro nos debruçar sobre a única fonte que a descreve em detalhes: o texto bíblico, que é um relato que nos oferece um mapa de construção que levanta questões cruciais de engenharia e logística.
A primeira instrução dada a Noé detalha os materiais essenciais para a construção e a impermeabilização da embarcação.
“Faze para ti uma arca de madeira de gopher; farás nela compartimentos e a revestirás de betume por dentro e por fora.” (Gênesis 6:14, ARA)
Essa breve descrição já suscita debates importantes sobre a composição da Arca:

Madeira de Gopher: Qual madeira era essa? A palavra só aparece uma vez na Bíblia, levando a diferentes interpretações.
Alguns creem que se trata de um tipo de cipreste, conhecido por sua durabilidade e resistência à água.
Outros sugerem que gopher se refere mais a uma madeira laminada ou a um tipo de corte específico (madeira quadrada).
Betume (Piche): O material usado para calafetar a arca. A tradução Septuaginta o chama de asfalto, enquanto a palavra original sugere um tipo de piche ou resina usada para impermeabilizar.
Muitos estudiosos questionam a viabilidade do uso de piche, alegando que ele liberaria gases tóxicos, impossibilitando a sobrevivência dentro de uma arca selada. Portanto é possível que a Arca não usasse piche mas algum tipo de resina.
Dimensões e a Imprecisão do Côvado.
As dimensões descritas na Bíblia são monumentais, mas a medida exata é dificultada pela unidade de medida utilizada: o côvado.
“Deste modo a farás: o comprimento da arca será de trezentos côvados, a sua largura, de cinquenta, e a sua altura, de trinta.” (Gênesis 6:15, ARA)
A imprecisão reside no fato de o côvado ser uma medida antropométrica (do cotovelo à ponta dos dedos), variando de acordo com a cultura (côvado babilônico, egípcio, etc.).
Com base nas conversões mais aceitas, as dimensões aproximadas da Arca seriam:
| Dimensão |
Côvados |
Metros (Aproximado) |
| Comprimento | 300 | 133 a 155 metros |
| Largura | 50 | 22 a 26 metros |
| Altura | 30 | 13 a 15 metros |
Janela, Porta e Estrutura Interna.
O texto bíblico também fornece detalhes cruciais sobre a funcionalidade e organização interna:
“Farás na arca uma janela e lhe darás um côvado de altura; a porta da arca porás ao seu lado; farás andares, baixo, segundo e terceiro.” (Gênesis 6:16, ARA)
A especificação de uma janela de apenas 50 centímetros de altura é frequentemente usada por críticos para questionar a ventilação de uma embarcação de 155 metros.
A probabilidade é que os 50 cm se refiram apenas à altura da abertura, e não ao seu comprimento. É razoável inferir que fosse uma abertura que se estendia ao longo do teto da Arca, essencial para a circulação de ar.
A Arca tinha uma única porta localizada em um de seus lados.
A embarcação era claramente organizada em três andares distintos, o que multiplicava a capacidade de armazenamento de animais e suprimentos.
Capacidade e Design da Arca: Metade do Titanic e a Função de Flutuação.

Ao analisar as dimensões da Arca (cerca de 155 metros de comprimento), surge a comparação com embarcações modernas para que tenhamos uma ideia da sua magnitude. A Arca de Noé teria aproximadamente metade do tamanho do famoso navio Titanic.
Apesar de ser imensa, uma questão logística se impõe: uma embarcação desse porte seria suficiente para abrigar tudo o que era necessário para a sobrevivência global?
O Desafio da Capacidade.
A Arca precisava abrigar muito mais do que apenas a tripulação. Era necessário espaço para:
- As Espécies Animais: Embora muitos pensem que eram todos os animais da Terra, a Bíblia se refere a um número gerenciável de espécies ou “tipos” de animais. (Isto será detalhado posteriormente).
- Noé e Sua Família: Os oito tripulantes humanos.
- Mantimentos e Suprimentos: Estoques de comida para os animais e para a família para durar cerca de um ano.
- Ferramentas e Logística: Materiais para conserto da Arca, manutenção, e ferramentas necessárias para o preparo dos alimentos (como moer grãos).
A imensidão da Arca é inegável, mas a capacidade logística para abrigar toda essa carga em segurança é o principal ponto de debate.
Arca: Não Era um Navio, Era uma Barcaça.
Um dos principais argumentos céticos é: “Como um homem de um passado tão remoto conseguiu construir um navio tão grande, se isso foi impossível por muitos séculos depois?”
A resposta está no objetivo da embarcação. A Arca, como descrita, não era um navio no sentido moderno, pois seu objetivo não era viajar ou manobrar, mas sim apenas flutuar.
É provável que o modelo seja o de uma grande barcaça retangular, semelhante a uma tora de madeira gigante. Este formato é perfeito para a flutuação e estabilidade, mas péssimo para navegação ou velocidade.
A principal preocupação de Noé não seria pilotar, mas sim garantir que a estrutura não se rompesse ao meio sob a pressão das águas.
Organização Interna: Os Três Andares.
A concepção artística da Arca reforça a ideia de uma estrutura simples, feita de madeira laminada e toras quadradas, coberta com tábuas calafetadas de betume.

A organização interna, dividida em três andares, sugere uma logística clara e eficiente:
- Acesso: O trânsito entre os andares, para o manejo de animais e comida, provavelmente era feito por rampas ao invés de escadas, facilitando a movimentação de cargas e dos próprios animais.
- Andar Superior (Terceiro): Reservado para o habitat da família de Noé e talvez alguns equipamentos essenciais.
- Andar Intermediário (Segundo): Provavelmente destinado ao estoque de mantimentos, incluindo a comida dos animais e os suprimentos para um ano.
- Andar Inferior (Primeiro): O andar reservado para os animais, onde ficariam as jaulas, baias e o local de cuidado.
A justificação de como esse projeto daria certo, do ponto de vista da engenharia e biologia, exige uma análise aprofundada que será o foco de nossos próximos artigos.
O Repouso da Arca: A Complexidade de Encontrar um Gigante no Monte Ararate.

Se a Bíblia é a fonte primária da história do Dilúvio, é natural questionar: onde exatamente estariam os restos da Arca de Noé hoje? Muitos pensam que, dada a dimensão da embarcação, ela deveria ser fácil de encontrar, mas diversos fatores, desde a antiguidade da construção até a complexa geografia do local de repouso, tornam essa busca um desafio monumental
O Desafio da Preservação e o Tempo.
O primeiro ponto a considerar é o tempo. Estamos falando de uma embarcação construída há, aproximadamente, 4.300 anos.
Embora a madeira de gopher pudesse ser excepcionalmente resistente, seria necessária uma preservação ambiental quase perfeita para que uma estrutura desse porte sobrevivesse integralmente.
Muitas embarcações e até cidades inteiras feitas de pedra, que são muito mais jovens que a Arca, não existem mais ou só são encontradas em fragmentos. Existe, sim, a possibilidade de que a Arca não esteja mais intacta.
Contudo, a busca não cessa. Temos relatos históricos, avistamentos e evidências arqueológicas (que serão exploradas em profundidade) que sugerem o contrário, tornando a investigação fascinante.
O Significado de “Montes de Ararate.”
A localização do repouso é frequentemente mal interpretada. O texto bíblico não aponta para um pico específico, mas para uma vasta região.
“No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre os montes de Ararate (Gênesis 8:4, ARA)

O termo “Montes de Ararate” refere-se à Cordilheira do Ararate, que historicamente englobava uma vasta área geográfica conhecida como o Reino de Urartu.
A região de Urartu correspondia a cerca de 350 mil quilômetros quadrados (comparável à área de um estado grande).
Encontrar uma embarcação de 150 metros em uma área desse tamanho, composta por picos nevados e geleiras, é extremamente difícil. O famoso Monte Ararate (o Grande e o Pequeno), que é de origem vulcânica, possui geleiras que se movem e variam de profundidade entre 30 e 50 metros, o que pode facilmente cobrir, soterrar ou arrastar restos de madeira.
Portanto, a Arca pode estar tanto no monte que hoje é conhecido como Ararate, quanto em qualquer outro monte dentro desse gigantesco raio.
Os Desafios Geopolíticos e Históricos.
A complexidade da busca é agravada por fatores geopolíticos e históricos:
A região do Ararate está localizada na fronteira de países como Turquia, Armênia e Irã. Muitos locais são zonas militares proibidas ou de difícil acesso para expedições estrangeiras devido a conflitos e restrições políticas.
A identificação do “Monte Ararate” mudou ao longo da história. O monte reconhecido hoje não era necessariamente o mesmo reconhecido por povos antigos em outros períodos, e a própria geologia vulcânica da montanha provoca mudanças em sua topografia.
Cartografia Antiga e Avistamentos Históricos.
Apesar de todas as dificuldades, a existência da Arca no local é corroborada por séculos de relatos e registros:
Existem relatos históricos e contemporâneos de pessoas que afirmaram ter visto a Arca de Noé na região de Urartu, em locais como Corduene, o Monte Cudi e o Monte Agri-Dağ (o Ararate segundo os armênios).
A cartografia antiga é uma evidência intrigante. Muitos mapas antigos, séculos depois do Dilúvio, localizam e representam a Arca de Noé repousando no topo do Monte Ararate, na região da Armênia, indicando que a lenda (ou a visão) era um fato aceito e registrado.
Cartografia Antiga: A Arca de Noé em Mapas Históricos.
Se a Arca repousou na região do Ararate, essa informação não estaria restrita apenas aos textos sagrados? A cartografia antiga sugere que sim. Séculos após o Dilúvio, a presença da Arca no topo do monte Ararate era considerada um fato geográfico notável, sendo registrada por cartógrafos em mapas do mundo conhecido.
A maioria dos relatos e evidências aponta para a Arca repousando na região da Armênia, onde a cordilheira do Ararate está localizada.
A Arca como Fato Geográfico.
Diversos mapas históricos, que datam de mais de mil anos após a narrativa bíblica, incluem a Arca de Noé como um elemento fixo na paisagem. Isso indica que, culturalmente e geograficamente, a localização dos restos da Arca era conhecida ou amplamente aceita.

Mapa da Armênia de Ptolomeu (c. 150 d.C.): Baseado na obra Geografia de Cláudio Ptolomeu, este é um dos registros cartográficos mais antigos que localizam a Arca no Monte Ararate (ou Agri-Dağ), na região Armênia. A estrutura da Arca aparece desenhada sobre o pico.

Mapa da Terra Santa com Armênia (1240–1253 d.C.): Desenhado por Matthew Paris , este mapa também traz a representação da embarcação sobre as montanhas de Ararate.

Mapa Mundi de Ebstorf (Século XIII): Este grande mapa redondo, desenhado na Saxônia, contém diversas regiões do mundo conhecido e inclui uma representação da Arca no Ararate. A imagem chega a mostrar o simbolismo do pombo voltando com o ramo de oliveira.

Mapa Mundi da Catedral de Hereford (Século XIII): Similarmente, este mapa redondo exibe as montanhas da Armênia e a Arca de Noé, demonstrando a aceitação do fato na Europa medieval .

Carta do Paraíso Terrestre, Monte Ararate e Babel (1761): Mesmo em períodos mais modernos, mapas continuavam a incluir a Arca no Monte Ararate, muitas vezes representada como uma grande embarcação quadrada.
Nível de Evidência: Cultura vs. Prova Concreta.
É fundamental considerar o nível de evidência que a cartografia antiga oferece.
Muitos mapas antigos continham representações culturais e mitológicas. Não era incomum encontrar dragões em regiões desconhecidas da terra ou serpentes marinhas no oceano. A presença desses elementos não prova sua existência real no local.
No entanto, o registro consistente da Arca em tantos mapas, feitos em diferentes séculos e regiões, é uma evidência que não pode ser descartada. A Arca era retratada como um marco geográfico conhecido.
A presença da Arca nesses mapas, embora não seja uma “prova concreta” por si só, sugere fortemente que, para os povos da época, algo real e visível repousava no Ararate e foi transmitido através de gerações de historiadores e cartógrafos. A Arca era, para eles, uma realidade da geografia da Ásia Menor.
Esta é uma evidência cultural e histórica importante que deve ser somada às evidências arqueológicas e de avistamentos modernos que exploraremos posteriormente.
Evidências Culturais: O Legado de Noé e a Identidade dos Povos do Ararate.

Além dos registros em textos sagrados e na cartografia, a região circundante ao Monte Ararate que engloba a Armênia, Turquia e Irã, carrega uma herança histórica viva ligada diretamente à história de Noé e do Dilúvio. Para os povos desta região, a história da Arca não é apenas um mito, mas um fato histórico que define sua origem
A Descendência de Jafé: Identidade Armênia.
Uma das conexões mais fortes reside na identidade da nação armênia.

Se você perguntar aos povos dessa área de quem são descendentes, eles prontamente responderão: “Somos descendentes de Noé, através de seu filho Jafé.” Para eles, essa genealogia é história, assim como para nós, a colonização de nossas regiões é história.
O patriarca lendário Haiki (Hayk), considerado o fundador da nação armênia, é frequentemente ligado à descendência de Jafé.
O historiador armênio Moisés de Corene (Movses Khorenatsi), em sua História dos Armênios, estabelece explicitamente a genealogia de Haik, ligando-o à linhagem de Noé.
Desta forma, os armênios se conectam diretamente ao Monte Ararate e à história do Dilúvio, reivindicando essa herança como parte central de sua identidade nacional.
Distribuição dos Povos e a Genealogia Bíblica.
Essa convicção histórica se estende à visão antiga da colonização global.
Mapa de Distribuição: Um mapa de Robert Wilkinson (1823), por exemplo, ilustra a crença histórica de que os três filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé) foram responsáveis pela repovoação e colonização dos continentes:

Sem: Associado a toda a Ásia (pai dos povos asiáticos). Cam: Associado a toda a África (pai dos povos africanos). Jafé: Associado a toda a Europa (pai dos povos europeus/ caucasianos).

Embora existam estudos modernos que contradizem ou reformulam essa distribuição, é extremamente interessante notar a quantidade de documentos e evidências guardadas por esses povos que sustentam e perpetuam a crença em sua descendência direta dos sobreviventes da Arca.
Portanto, a narrativa bíblica não está isolada; ela é profundamente confirmada pela herança cultural, genealógica e histórica das nações que habitam as proximidades do local onde a Arca repousou.
Evidências Urbanas e Artefatos: A História Viva do Dilúvio.
A conexão com Noé não se limita à genealogia. A narrativa bíblica está intrinsecamente ligada à geografia local, dando nome a cidades e sendo registrada em artefatos que atravessaram os séculos.
Nakhchivan: O “Lugar de Noé.”
Uma das evidências culturais mais convincentes é a própria existência e o significado da cidade de Nakhchivan.

Segundo a tradição armênia e popular, o nome Nakhchivan (ou Nativan) significa “o lugar de Noé” ou “o primeiro lugar de desembarque” após o Dilúvio.
Os habitantes locais afirmam que esta cidade, capital da República Autônoma de Nakhchivan (um exclave do Azerbaijão, cercado por Armênia, Turquia e Irã), foi a primeira cidade a ser fundada pelos filhos de Noé após saírem da Arca.
O historiador hebreu Flávio Josefo (século I d.C.) já registrava a crença local sobre a cidade:
“Ora, os armênios chamam este lugar de Ἀποβατήριον (Lugar de Descida); pois a arca, tendo sido salva naquele lugar, seus restos são mostrados ali pelos habitantes até hoje. Este Ἀποβατήριον, ou Lugar de Descida, é a tradução apropriada do nome armênio desta mesma cidade. Ela é chamada em Ptolomeu de Naxuana, e por Moisés de Corene, o historiador armênio, de Idsheuan; mas no próprio lugar, Nachidsheuan, que significa o primeiro lugar de descida: e é um monumento duradouro da preservação de Noé na arca, no topo daquela montanha, ao pé da qual foi construída, como a primeira cidade ou vila após o dilúvio.“
(Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro I, Capítulo 3, Seção 5 [ou Livro I, Seção 89])
Josefo, portanto, confirma que a tradição de Nakhchivan como o local de desembarque era amplamente reconhecida e histórica já no século I.
O Túmulo de Noé e o Reconhecimento Islâmico.
A forte conexão com o patriarca é reforçada pela existência de um mausoléu em Nakhchivan, que é venerado por diversas tradições:
A cidade possui um mausoléu que, segundo a crença popular armênia e islâmica, abriga o túmulo do Profeta Noé .

Embora a autenticidade exata seja debatível (visto que há múltiplos locais de “sepulturas” de figuras proféticas), essa crença é endossada por figuras importantes. Geógrafos e historiadores islâmicos medievais, como Al-Masudi e Ibn al-Hawqal (séculos IX a XIII), fizeram menção em seus trabalhos à visita e à existência da tumba de Noé em Nakhchivan.
A persistência dessa tradição, validada por séculos de historiografia e peregrinação, demonstra que a história de Noé não é uma invenção moderna, mas uma herança cultural profunda na região.
A Moeda de Apameia: Artefatos Confirmam a Tradição.
A crença na Arca e no Dilúvio não ficou restrita à região de repouso, mas foi registrada em artefatos cunhados.
Moeda do Século III d.C.: Uma moeda da cidade de Apameia (na Frígia, próxima à Turquia moderna) homenageia a tradição da Arca de Noé. A moeda mostra Noé e sua esposa dentro da Arca flutuando, e o nome de Noé é claramente legível em grego no meio da embarcação .

O registro da Arca em uma moeda do século III, uma época relativamente próxima a Cristo, indica que o reconhecimento da história da Arca era amplo e oficial, não se limitando apenas a seitas ou grupos religiosos específicos, mas à cultura popular da época.

O Relicário e as Relíquias.
Outra forma de evidência cultural são as relíquias preservadas.
Existe um relicário exibido na Catedral da Armênia, que supostamente contém um pedaço de madeira da Arca de Noé .

A tradição conta que Iacó de Nisibis recebeu o fragmento de um anjo durante sua busca pela Arca. Embora a madeira nunca tenha sido testada para autenticidade e deva ser tratada como uma relíquia cultural, sua existência demonstra a estima histórica e a crença profunda que o povo armênio nutre pela realidade física da Arca.






“Ora, os armênios chamam este lugar de Ἀποβατήριον (Lugar de Descida); pois a arca, tendo sido salva naquele lugar, seus restos são mostrados ali pelos habitantes até hoje. Este Ἀποβατήριον, ou Lugar de Descida, é a tradução apropriada do nome armênio desta mesma cidade. Ela é chamada em Ptolomeu de Naxuana, e por Moisés de Corene, o historiador armênio, de Idsheuan; mas no próprio lugar, Nachidsheuan, que significa o primeiro lugar de descida: e é um monumento duradouro da preservação de Noé na arca, no topo daquela montanha, ao pé da qual foi construída, como a primeira cidade ou vila após o dilúvio.“





