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Daví e Golias

Sempre meninos contra gigantes

Sempre meninos contra gigantes

Daví e Golias

“E, olhando o filisteu, e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço, ruivo, e de gentil aspecto.

Disse, pois, o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o filisteu pelos seus deuses amaldiçoou a Davi.

Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas do campo.

Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.

Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel;” (1 Samuel 17:42-46)

 

É comum nos depararmos com passagens bíblicas que nos surpreendem por narrarem acontecimentos onde o mais fraco vence o mais forte, ou onde pessoas que sofrem e estão completamente desesperadas são revestidas de uma autoridade divina e de poder sobrenatural, e elas acabam por superarem suas dificuldades de forma espantosa.

Assim parece ser na maioria das vezes a vida com Deus! Assim geralmente são os que Ele escolhe para lutarem em suas guerras.

Então, quando analisamos as Escrituras notamos que Deus parece na maioria das vezes escolher sempre o mais fraco.

Ou as vezes, quando escolhe os mais capacitados os leva a passarem por situações que irão quase que completamente arrancar-lhes as forças e o forte e capaz se torna fraco e incapaz.

Foi assim com Moisés. Cheio de filosofias egípcias, passou quarenta anos pensando que era alguém, depois mais quarenta anos no deserto de Midiã entendendo que não era ninguém e os últimos quarenta anos passou descobrindo o que Deus poderia fazer através de um ninguém.

Também foi assim com José que era o menor de seus irmãos, o mais indefeso e menos preparado.

O mesmo ocorreu com Davi que era o mais moço dentre os seus irmãos e de aparência gentil.

Samuel por sua vez era apenas um menino.

Certamente falta-nos tempo para fazermos menção de Daniel, Jacó, Jeremias, Ezequiel, Gedeão e outros.

Todos estes eram homens que quando nós estudamos suas trajetórias ou origens vemos que eles não preenchiam o perfil de um campeão em potencial.

Sempre achei que Deus chamava campeões, mas ao conhecer a Bíblia percebi que Deus na verdade parece desprezar tais homens.

“Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.

Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;” (1 Coríntios 1:26-27)

 

Por que Deus só escolhe vencedores improváveis?

Deus os escolhe vencedores improváveis porque os sábios e entendidos já estão cheios de sua própria capacidade e confiança.

São pessoas dotadas de capacidade que afastam Deus de suas vidas.

Pessoas assim vivem segundo suas próprias experiências e seus próprios conceitos, mergulhadas em autossuficiência. Elas não desenvolvem um relacionamento de dependência com Deus.

Deus nos escolhe para sermos dependentes.    

Não adianta pensarmos que a nossa trajetória com Deus será de constantes vitórias, que ao sermos escolhidos iremos subir os degraus da conquista ininterruptamente.

Não pensemos que lutas não fazem parte de nosso chamado e que os gigantes nunca irão aparecer.

A verdade é que à medida que Deus tem um projeto conosco Ele mesmos se encarrega de mandar os gigantes para nos afrontarem.

Acaso não foi Deus quem endureceu o coração de Faraó?

Muitos se perguntam por que o Senhor fez isso na vida daquele homem pois não era por sua vontade que não os liberava os Israelitas, mas sim porque Deus não lhe permitia, endurecendo-lhe o coração e a vontade.

De passagens assim surgem pessoas que afirmam que Deus foi cruel.

Mas a intenção de Deus não era matar, mas salvar! E salvar o maior número de vidas possíveis e para isso precisava de uma situação em que somente os seus milagres resolveriam tudo e não uma habilidade humana.

Foi Ele quem colocou o povo de Israel e Moisés em uma verdadeira armadilha no Mar vermelho, onde os egípcios avançavam com toda sua ferocidade as suas costas e a frente estava um terrível mar intransponível.

Ao contrário do que muitos pensam Deus não estava sendo cruel.

Na verdade Ele esperava ansioso o momento de mostrar sua presença.

Mas para fazer isso precisaria que seus filhos se tornassem completamente dependentes Dele.

Logo, quando Moisés clamou para Deus, Ele lhe respondeu de forma concreta. “Por que clamas a mim?” “Toca nas águas!”

Com isto Deus estava mostrando o seu compromisso com Moisés dizendo: “Não tenha medo de situações difíceis, de problemas insolúveis e momentos em que não vejas saída e que excedam tuas próprias forças! Mas dependa unicamente de mim. Confie!”

 

Só os dependentes vencem

Por que Deus deseja que sejamos dependentes Dele?

A resposta é bem simples: Porque só os dependentes vencem!

Quando em nossa história de fé conseguimos nos tornar inteiramente dependentes de Deus este é o período em que começamos a vencer todos os obstáculos.

Isso ocorre porque aprendemos a lutar segundo a vontade do Senhor.

Não somos mais meninos inconsequentes lutando com qualquer arma que temos.

Tornamo-nos servos. E servos só fazem aquilo que o Senhor lhes permite ou manda.

Além do mais, aqueles que dependem de Deus apenas tomam atitudes quando o Senhor lhes dá direção e o segredo da vitória é sempre ter o Senhor dentro do barco e se deixar guiar por Ele, mesmo que seja navegando através de mares tormentosos.

Este era o segredo de todas as vitorias do Rei Davi. Ele nunca saía a uma batalha sem antes orar e consultar a Deus perguntando-lhe se deveria ir e com quantos soldados avançaria (1 Crônicas 14:10).

Moisés da mesma forma em sua postura de dependência clamou ao Senhor dizendo: “Se tu não fores a nossa frente nós não iremos!” (Êxodo 33:14-15)

Estes homens entenderam o segredo de andar com Deus.

Eles aprenderam a não confiarem em seu coração ou emoções e nem mesmo em seu próprio julgamento.

Preferiam ficar, a ir sem que Deus os levasse em sua presença!

Quantos não perdem suas batalhas porque acreditam estarem preparados para lutarem sozinhos, ou porque imaginam possuírem boas chances de vitória?

Mas o que realmente serve a Deus deve se entregar completamente e se deixar mover e direcionar impulsionado somente pela presença de Deus.

“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” ( João 15:5)

Se Deus tem um plano na sua vida, caro leitor. Ele o tentará tornar uma pessoa inteiramente dependente Dele, pois apenas aqueles que dependem Dele o conhecem de forma mais profunda, pois veem sua gloria mesmo em contraste com as suas próprias falhas.

E nisso entendemos que aqueles que dependem de Deus estão plenamente conscientes que são falhos, pois as falhas e incapacidades são exatamente as ferramentas que nos fazem depender de Deus.

Por este motivo o próprio Deus disse a Paulo que não iria lhe retirar o espinho de sua carne, pois essa era sua vontade, que o seu poder se aperfeiçoasse na fraqueza.

 

Apenas meninos contra gigantes

Agora entendemos porque os gigantes nos afrontam, porque Deus constrói estes aterrorizantes cenários onde o desespero nos congela a alma.

Nossos gigantes nos desafiam, apontam nossas fraquezas e nos aterrorizam de tal forma que, ou nos tornamos inteiramente dependentes de Deus e abandonamos nossa confiança em nós mesmos, ou então certamente morreremos, pois o inimigo é visivelmente maior e habilidoso.

Os gigantes foram feitos especialmente para aniquilarem com nossos pontos fortes. Eles zombam das nossas habilidades e sabedoria.

No cenário de nossa batalha eles se erguem bem mais fortes e treinados praguejando nossa morte a cada instante.

Mas não se engane, foi Deus quem os colocou lá! É Ele quem prepara os gigantes!

Sem estes gigantes nós nunca saberíamos o que é lutar ao lado de Deus. Nunca entenderíamos que somos protegidos e amados.

Os gigantes são tão necessários que sem eles provavelmente nós não seriamos ninguém!

Quem era Davi antes de Golias?

É impossível pregarmos sobre Davi sem que venha imediatamente em nossa mente a figura de Golias!

A verdade é que sem Golias Davi não passaria de um pastor de ovelhas desconhecido.

Provavelmente Israel não teria seguido um menino de aparência gentil, se este não tivesse se mostrado habilidoso para matar gigantes.

Além do mais todo o povo sabia que Davi havia vencido aquele guerreiro porque Deus lutava ao seu lado já que ele era um vencedor improvável.

Logo se somos chamados, seremos sempre em todo tempo meninos enfrentando gigantes.

Esta é nossa posição, é assim que Deus nos quer! Este é o nosso ministério!

Louvemos a Deus por nossas lutas e gigantes!

Picture of Monteiro Junior

Monteiro Junior

Pastor e estudante das Escrituras, idealizador do Projeto "O Pesquisador Cristão." Estudou Teologia e Sistemas de Informação. Atualmente dedica-se a pesquisas relacionadas a História do Cristianismo, Novo e Antigo Testamento. Acredita e defende a "busca e compartilhamento do conhecimento nos tempos modernos..."

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Monteiro Junior

Pastor e estudante das Escrituras, idealizador do Projeto "O Pesquisador Cristão." Estudou Teologia e Sistemas de Informação. Atualmente dedica-se a pesquisas relacionadas a História do Cristianismo, Novo e Antigo Testamento. Acredita e defende a "busca e compartilhamento do conhecimento nos tempos modernos..."