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Profeta Isaías. Existem provas da sua existência, ministério e morte?

Profeta Isaías. Existem provas da sua existência, ministério e morte?

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O Profeta Isaías é uma das figuras centrais na tradição bíblica, sendo um dos profetas mais importantes do Antigo Testamento. Ele viveu e profetizou durante o século 8 a.C., aproximadamente entre 740 e 700 a.C.

Sabe-se que ele viveu em Jerusalém, na capital do Reino de Judá, e desempenhou um papel importante na vida política e religiosa da cidade.

Sua atividade profética ocorreu durante os reinados dos reis Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias de Judá. Este foi um período de turbulência política e militar, incluindo a ameaça assíria.

Isaías é altamente reverenciado no judaísmo como um dos maiores profetas. Suas mensagens são lidas e estudadas por sua profundidade teológica e moral.

No cristianismo, Isaías é visto como um profeta que prefigurou a vinda de Jesus Cristo. Suas profecias são frequentemente citadas no Novo Testamento e por causa disso ele é chamado de “Profeta Messiânico.” Seus escritos são comparados aos do Apóstolo Paulo, devido a sua erudição impecável e estilo literário.

As imagens e temas de Isaías influenciaram a literatura, a arte e a música ao longo dos séculos. Seu impacto é notável em obras de arte sacra e em oratórios, como o “Messias” de Handel.

A teologia de Isaías, com sua ênfase em justiça social, esperança messiânica e fidelidade a Deus, continua a ser uma fonte de inspiração e reflexão para teólogos e estudiosos até os dias de hoje.

No entanto, embora não haja dúvidas significativas sobre a existência do Profeta Isaías entre os estudiosos, religiosos e historiadores, é importante reconhecer que em certos círculos acadêmicos e críticos da Bíblia, sempre são levantados questionamentos ou afirmações de que este profeta nunca teria realmente existido.

Neste estudo vamos procurar possíveis provas da existência deste personagem bíblico, analisar o contexto bíblico que o menciona, citações históricas fora das Escrituras Sagradas, descobertas arqueológicas sobre ele e os possíveis registros de sua morte.

 

Por que a Bíblia e não outros textos é a melhor fonte histórica sobre existência do Profeta Isaías?

Antes de falarmos de referências históricas fora da Bíblia, precisamos deixar bem claro que a principal fonte sobre a existência do Profeta Isaías é o Antigo Testamento, ou seja, a Bíblia. Neste tópico vamos entender bem o porquê disso.

Os textos do Antigo Testamento, incluindo o Livro de Isaías, foram escritos na antiguidade e são contemporâneos ou próximos aos eventos que descrevem. Isso lhes confere um valor significativo como fontes primárias.

Pergaminho dos Manuscritos do Mar Morto com trechos do Livro de Isaias
Pergaminho dos Manuscritos do Mar Morto com trechos do Livro de Isaias.

O Livro de Isaías contém relatos diretos das profecias e atividades de Isaías, oferecendo uma visão detalhada de sua missão e mensagem.

A inclusão do Livro de Isaías no cânon das escrituras judaicas e cristãs reflete sua aceitação, importância histórica e religiosa desde os tempos antigos.

Além do Livro de Isaías, outras referências no Antigo Testamento, como 2 Reis 19-20 e 2 Crônicas 32, que mencionam Isaías em contextos históricos específicos, também são consideradas fontes primárias. Isso sem mencionar as referências ao Profeta Isaías no Novo Testamento.

Mas se o Profeta Isaías foi alguém tão significativo e importante em seu tempo, porque não temos abundantes fontes históricas de outros povos mencionando este profeta bíblico?

As menções ao Profeta Isaías principalmente por parte de escritores ou historiadores judeus e cristãos se deve ao fato de que Isaías é uma figura central apenas nas tradições judaica e cristã, e não é uma figura de destaque nas tradições e escritos de outras culturas e religiões da antiguidade.

Isaías viveu no século VIII a.C., um período em que o Reino de Judá estava em contato com grandes potências como o Império Assírio e o Egito. Escritores dessas culturas raramente mencionariam profetas judeus em seus registros oficiais.

Textos e inscrições de civilizações vizinhas frequentemente se concentram em figuras políticas e militares, não em profetas religiosos de outras culturas. No entanto, embora os registros assírios e babilônicos, como os anais de Tiglate-Pileser III ou as crônicas babilônicas, não mencionem Isaías especificamente, eles fornecem um contexto histórico que se alinha com os eventos descritos no livro de Isaías, mostrando que aquilo que é escrito no livro do Profeta Isaías ou mesmo sobre o profeta é coerente com os acontecimentos da sua época.

 

Existem textos históricos fora da Bíblia que mencionam o Profeta Isaías?

Busto romano tido como de Flávio Josefo
Busto romano tido como de Flávio Josefo.

Embora a Bíblia seja considerada a nossa principal fonte primária sobre a vida, ministério e existência do Profeta Isaías, temos outras fontes históricas e antigas fora dos textos bíblicos, que mencionam Isaías.

Citações do Historiador Flávio Josefo sobre o Profeta Isaías:

Um bom lugar para começarmos a procurar citações históricas sobre Isaías é nos escritos de Flávio Josefo, historiador judeu do século I, que menciona este profeta várias vezes em sua obra “Antiguidades Judaicas”. Ele faz referência às profecias de Isaías e sua relação com os reis de Judá. Dentre estas citações temos as seguintes:

“Isaías, que viveu sob o reinado de Ezequias, predisse muitas coisas e era muito hábil no discernimento do que era verdadeiro.” (Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1).

“Por fim, quando [o rei] fez tudo o que Isaías, o profeta, tinha dito que seria feito durante seu reinado, ele morreu.” (Antiguidades Judaicas, Livro 9, Capítulo 12, Seção 6).

“Ezequias, rei de Jerusalém, recebeu uma carta do rei dos assírios, na qual ele era insultado e blasfemado por confiar em Deus. Isaías, o profeta, ordenou-lhe que não respondesse, mas que orasse a Deus para obter ajuda.” (Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1, Seção 3).

“Mas Isaías predisse que a cidade de Jerusalém não seria tomada pelos assírios, nem seria o rei assírio visto dentro dela; mas que Deus defenderia a cidade e que aqueles que combatiam por ela prevaleceriam.” (Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1, Seção 4).

“Agora, enquanto [o rei Ezequias] estava em extrema dificuldade e não sabia o que fazer, o Profeta Isaías ordenou-lhe que não temesse os assírios, mas que confiasse na proteção que Deus lhe tinha prometido; e disse-lhe que ele deveria sair do templo e ir dormir em sua casa, pois que Deus livraria a cidade dos inimigos e ele não os veria mais.” (Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 2, Seção 1).

“Isaías também profetizou sobre a sobrevivência da dinastia de Davi e sobre o Messias que viria.”(Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 2, Seção 2).

Os Pais da Igreja também mencionam o Profeta Isaías em seus escritos:

Justino Mártir, filósofo e apologista cristão que viveu em 100 e 165 d.C em sua obra “Diálogo com Trifão,” menciona o Profeta Isaías:

“E ele mostra que Jesus Cristo é o Senhor e Deus; pois ele diz: ‘Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? […] Ele foi levado como uma ovelha ao matadouro…’” (Diálogo com Trifão, Capítulo 13, citando Isaías 53).

Irineu de Lyon, bispo e teólogo cristão que viveu aproximadamente entre 130 e 202 d.C. em sua obra “Contra Heresias”, refere-se frequentemente a Isaías em suas refutações de heresias e discussões sobre a teologia cristã, dentre estas citações temos:

“Por Isaías, também, o Espírito Santo declarou o que Cristo haveria de sofrer, e o que Ele haveria de fazer, o que Ele haveria de receber, e o que Ele haveria de ser, dizendo que Ele era homem, e ‘quem conhecerá a Sua geração?’” (Contra Heresias, Livro 3, Capítulo 19, citando Isaías 53).

Orígenes, teólogo e escritor cristão que viveu aproximadamente entre 185 e 254 d.C. em sua obra “Contra Celso” também menciona o Profeta Isaías:

“Isaías é claramente um profeta de grande importância, pois ele previu a vinda do Cristo e muitas outras coisas que aconteceriam a Israel e às nações.” (Contra Celso, Livro 1, Capítulo 44).

Agostinho de Hipona, ou “Santo Agostinho,” influente bispo, teólogo e filósofo cristão que viveu aproximadamente entre 354 e 430 d.C. em sua obra “A Cidade de Deus”, faz diversas referências a Isaías, usando suas profecias para discutir a vinda de Cristo e o reino de Deus. Dentre essas citações temos a seguinte:

“Isaías, tão grande profeta, previu, ao mesmo tempo, a vida do Salvador no corpo e a Sua paixão, e a graça de Seus dons, e o chamado dos gentios, e a condenação dos ímpios, e a glória dos justos.” (A Cidade de Deus, Livro 18, Capítulo 29).

 

Existe algum achado arqueológico ou prova física da existência do Profeta Isaías?

A arqueologia tem fornecido algumas evidências que iluminam o contexto histórico e cultural em que o Profeta Isaías viveu e, em alguns casos, possivelmente se referem a ele diretamente, em outros comprovam lugares, pessoas ou acontecimentos que de certo modo estão ligados ao profeta. Aqui está uma lista de achados arqueológicos interessantes que podem ajudar a comprovar que este profeta realmente existiu e que aquilo que está escrito em seu livro realmente ocorreu:

Túmulo e Selo de Shebna

Tumbas antigas abaixo de Silwan e a inscrição parcialmente destruída da tumba em Silwan.
Tumbas antigas abaixo de Silwan e a inscrição parcialmente destruída da tumba em Silwan.

Em 1870, foi encontrado um túmulo na vila de Silwan, perto de Jerusalém, com uma inscrição hebraica identificando-o como pertencente a “Shebna, o mordomo”. Shebna é mencionado em Isaías 22:15-16 como um oficial da corte do rei Ezequias.

Importância: Confirma a existência de personagens bíblicos contemporâneos de Isaías.

Prisma de Senaqueribe

Também conhecido como Prisma de Taylor, este artefato é uma inscrição em argila escrita em acádio, descrevendo as campanhas militares do rei assírio Senaqueribe. Ele menciona o cerco a Jerusalém durante o reinado de Ezequias.

Importância: Corrobora o relato bíblico de Isaías 36-37 sobre o cerco assírio a Jerusalém.

Túnel de Ezequias

Túnel de Ezequias
Túnel de Ezequias

Um túnel escavado na rocha que liga a Fonte de Giom à Piscina de Siloé, em Jerusalém. A inscrição de Siloé, descoberta em 1880, detalha a construção do túnel.

Importância: Relaciona-se à preparação de Jerusalém para o cerco assírio mencionado em Isaías 22:9-11.

Selo de Isaías

Selo de Isaías
Selo de Isaías

Em 2018, arqueólogos anunciaram a descoberta de um selo de argila (bula) que poderia conter o nome do profeta Isaías. A bula, datada do século 8 a.C., foi encontrada perto do Monte do Templo em Jerusalém e contém a inscrição “Isaías” e “nvy”, que poderia ser interpretado como “profeta”.

Importância: Se autenticado como pertencente ao Profeta Isaías, seria uma confirmação direta de sua existência.

Tabelas de Lachish

Tabelas de Lachish.
Tabelas de Lachish.

Cartas de argila encontradas na cidade de Lachish, datadas do final do século 7 a.C., que relatam a invasão babilônica.

Importância: Fornecem contexto histórico para os eventos e ameaças mencionados nos livros proféticos, incluindo Isaías.

Inscrições de Tiglate-Pileser III

Campanha militar de Tiglate-Pileser III.
Campanha militar de Tiglate-Pileser III.

Várias inscrições do rei assírio Tiglate-Pileser III mencionam os reis de Judá e Israel, incluindo Menaém, Peca e Acaz, contemporâneos de Isaías.

Importância: Corroboram os registros bíblicos dos reinados e conflitos da época de Isaías.

Ostraca de Samaria

inscrição menciona Noa uma mulher descendente de Manassés.
inscrição menciona Noa uma mulher descendente de Manassés.

Fragmentos de cerâmica encontrados em Samaria, capital do Reino do Norte, datados do século 8 a.C., contendo registros administrativos e nomes hebraicos.

Importância: Oferecem uma visão sobre a vida cotidiana e a administração do Reino de Israel durante o tempo de Isaías.

Selo de Ezequias

Selo do rei bíblico Ezequias com Inscrição circular feita em peça de argila.
Selo do rei bíblico Ezequias com Inscrição circular feita em peça de argila.

Selo real do rei Acaz, pai de Ezequias, encontrado em escavações em Jerusalém.

Importância: Confirma a existência de figuras reais contemporâneas mencionadas no livro de Isaías.

Estela de Moabe

Estela de Moabe Estela de Mesa.
Estela de Moabe Estela de Mesa.

Também conhecida como a Estela de Mesa, esta inscrição do século 9 a.C. relata as vitórias do rei moabita Mesa sobre Israel.

Importância: Fornece contexto sobre os conflitos regionais envolvendo Israel e Judá, o que também é abordado nos escritos de Isaías.

Papiro de Elefantina

Elefantina Papiro 407 a.C.
Elefantina Papiro 407 a.C.

Descrição: Cartas escritas por uma comunidade judaica no Egito no século 5 a.C., que mencionam práticas religiosas e figuras históricas.

Importância: Mostram a continuidade das práticas religiosas judaicas pós-exílio, ligadas às profecias e ensinamentos dos profetas como Isaías.

Existem registros sobre a morte do Profeta Isaías e de como ele morreu?

Embora não haja um relato sobre a morte de Isaías na Bíblia, podemos encontrar referências a sua morte em outras literaturas antigas.

As tradições judaicas e cristãs, bem como os textos apócrifos como a Ascensão de Isaías, fornecem uma narrativa de seu martírio. Estas fontes, embora não canônicas, são importantes para entender como a vida e a morte de Isaías foram percebidas e transmitidas ao longo dos séculos.

A tradição talmúdica refere-se ao corpo de ensinamentos, interpretações, comentários e discussões rabínicas que se desenvolveram a partir da Mishná e foram registrados no Talmude. O Talmude é um dos textos centrais do judaísmo rabínico e é composto por dois componentes principais: a Mishná e a Gemara.

No Talmude Babilônico, em Yevamot 49b, há uma menção ao martírio de Isaías. Nesta narrativa o profeta teria sido morto a mando do Rei Manassés, quando foi serrado ainda vivo:

“Manassés perguntou a Isaías: ‘Moisés, teu mestre, disse: ‘Porque homem nenhum verá a Mim e viverá.’ (Êxodo 33:20) Mas tu disseste: ‘Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono.’ (Isaías 6:1) Moisés, teu mestre, disse: ‘Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas?’ (Deuteronômio 10:17) Mas tu disseste: ‘Eu habito em um lugar alto e santo.’ (Isaías 57:15) Moisés, teu mestre, disse: ‘O número dos teus dias Eu completarei.’ (Êxodo 23:26) Mas tu disseste: ‘Eu acrescentarei aos teus dias quinze anos.’ (Isaías 38:5) Isaías pensou: ‘Se eu lhe responder, ele me matará. Se eu não lhe responder, ele me desonrará publicamente.’ Ele então disse o Nome Divino e foi engolido por um cedro. Os servos de Manassés trouxeram o cedro e serraram-no ao meio. Quando a serra atingiu sua boca, Isaías morreu.”

A “Ascensão de Isaías” (ou “Ascensio Isaiae”) é um texto apócrifo judeu-cristão que se acredita ter sido escrito entre o século I a.C. e o século II d.C. Este texto é composto por três partes principais, que provavelmente foram escritas em diferentes épocas e contextos, e mais tarde compiladas em uma única obra. As partes são conhecidas como o “Martírio de Isaías”, a “Visão de Isaías” e o “Testamento de Ezequias”. Neste apócrifo encontramos a seguinte menção a morte do Profeta Isaías:

“E enquanto eles estavam se apoderando dele, ele proferiu um ditado, no Espírito Santo, para confrontar-os. E ele começou a falar em relação ao Senhor. Então Belchira disse a ele: ‘Isaías, eu falei a verdade sobre você e seus companheiros, pois você não guardou a lei de nosso pai Moisés e você tem arrogado a si mesmo profecias falsas e vazias sobre a visão de seu Deus. Por essa razão Manassés, seu tio, o rei, condenou você à morte. E Isaías disse: ‘Este foi o plano concebido por Satanás e seus anjos, e por seus ministros e me incitaram para isso, por este crime, ao longo dos meus dias.’ E Belchira mentiu muito para Isaías. E Manassés ficou irado com Isaías e o serraram ao meio com uma serra de madeira.” (Ascensão de Isaías 5:2-14)

Embora estes textos tenham certo valor, não podemos afirmar que sejam equivalentes a um registro histórico. No entanto temos também outra citação na Bíblia, no livro de Hebreus que faz uma referência genérica ao martírio que se acredita incluir Isaías.

“Foram apedrejados, serrados ao meio, mortos ao fio da espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados.” (Hebreus 11:37)

Todas estas informações compõem a ideia daquilo que muitos acreditam ter sido o fim deste grande Profeta. Tanto judeus acreditam por sua tradição talmúdica que Isaías morreu serrado ao meio a mando do rei Manassés, como cristãos creem que Hebreus 11:37 se refere a morte do Profeta Isaías.

Existe uma tumba do Profeta Isaías em Israel?

É um pouco complicado falarmos sobre tumbas ou túmulos de profetas bíblicos. Muitos destes homens possuem memoriais, monumentos, lugares de peregrinação que não podem ser confirmados como autênticos já que vários destes lugares surgiram por meio da motivação religiosa.

Existem tradições que afirmam que o Profeta Isaías está enterrado na Galiléia, e o local de sua sepultura fica perto de Nahal Baram. Outra lápide do profeta está na cidade de Isfahan sendo usada como local de oração para judeus e muçulmanos.

A aldeia de Silwan tem uma tumba atribuída a Isaías, é hoje um subúrbio de Jerusalém, no Vale do Cédron, ao sul da Cidade de Davi. O local identificado como túmulo fica na encosta da aldeia. Na verdade, existem três túmulos lá, o maior pertencente a Isaías (tecnicamente falando, é na verdade um memorial e pode não ser o local real de seu túmulo). Uma inscrição grega apenas indica que o local é o “Lugar de Isaías, o Profeta”.

Não muito longe está o local onde Isaías foi morto. Este lugar é chamado de Tel el Minshar, que significa Colina da Serra. Uma árvore no topo da colina supostamente marca o local exato onde o profeta foi martirizado.

Essas afirmações sobre o túmulo do Profeta Isaías são interessantes, mas devem ser tratadas com cautela, pois envolvem elementos de tradição religiosa e cultural que podem não estar completamente corroborados por evidências históricas ou arqueológicas.

Em relação a Sepultura na Galileia, a tradição que associa Isaías à Galileia é encontrada em algumas fontes religiosas e literárias, mas não é apoiada por evidências arqueológicas ou históricas sólidas. O local específico perto de Nahal Baram não é amplamente reconhecido como o local de sepultamento de Isaías por estudiosos acadêmicos.

A menção de uma lápide do Profeta Isaías em Isfahan, usada como local de oração para judeus e muçulmanos, é interessante, mas também deve ser interpretada com cuidado. Isfahan, no Irã, tem uma longa história de presença judaica e muçulmana, e é possível que tradições locais atribuam significado religioso a certos locais, incluindo uma lápide associada a Isaías. No entanto, isso não confirma necessariamente a autenticidade do local como o túmulo real de Isaías.

No geral, essas tradições e histórias folclóricas podem ser importantes do ponto de vista cultural e religioso, mas devem ser distinguidas de afirmações históricas verificáveis. O estudo acadêmico geralmente se baseia em evidências arqueológicas, históricas e textuais mais sólidas para reconstruir a vida e os feitos de figuras históricas como Isaías.

Dadas estas informações podemos afirmar que não temos com certeza o lugar onde o corpo do profeta tenha sido sepultado, e por conta do tempo é possível que nunca sequer encontremos, já que Jerusalém foi destruída algumas vezes, reconstruída, sitiada e enfrentou inúmeras mudanças após os tempos do Profeta Isaías. No entanto como todo personagem histórico bíblico, além das evidências que já temos da sua existência, não descartamos a possibilidade da arqueologia nos surpreender no futuro.

 

Fontes pesquisadas:

Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1.

Antiguidades Judaicas, Livro 9, Capítulo 12, Seção 6.

Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1, Seção 3.

Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 1, Seção 4.

Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 2, Seção 1.

Antiguidades Judaicas, Livro 10, Capítulo 2, Seção 2.

Justino Mártir, Diálogo com Trifão, Capítulo 13, citando Isaías 53.

Irineu de Lyon, Contra Heresias, Livro 3, Capítulo 19, citando Isaías 53.

Orígenes, Contra Celso, Livro 1, Capítulo 44

Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus, Livro 18, Capítulo 29

Nahman Avigad, “O epitáfio de um administrador real da vila de Siloé”, Israel Exploration Journal 3 (1953), pp. 8–11.

Costumes funerários e tumbas da Antiga Jerusalém: Parte Dois”, LY Rahmani, The Biblical Archaeologist , Vol. 44, nº 4 (outono de 1981), pp

Jastrow, Marcus. “Dictionary of the Targumim, Talmud Babli, Yerushalmi and Midrashic Literature.” Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 2005.

Edição de R.H. Charles: The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament.

“Ascensão de Isaías” (Ascensio Isaiae), capítulo 5, versículos 2-14. Charles, R.H. “The Ascension of Isaiah.” In The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament in English, Volume II: Pseudepigrapha. Oxford: Clarendon Press, 1913.

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Monteiro Junior

Pastor e estudante das Escrituras, idealizador do Projeto "O Pesquisador Cristão." Estudou Teologia e Sistemas de Informação. Atualmente dedica-se a pesquisas relacionadas a História do Cristianismo, Novo e Antigo Testamento. Acredita e defende a "busca e compartilhamento do conhecimento nos tempos modernos..."

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