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Jesus Cristo existiu

Jesus Cristo, comprovado até por seus Inimigos.

Jesus Cristo, comprovado até por seus Inimigos.

Jesus Cristo existiu

Um dos detalhes que tornam a história de Jesus ainda mais fascinante é o fato de que sua existência pode ser confirmada não apenas por seus seguidores devotos, Jesus Cristo é comprovado até por seus Inimigos.

Quando examinamos os registros históricos e os escritos dos primeiros séculos, nos deparamos com uma série de fontes que corroboram para a comprovação da existência de Jesus Cristo.

E não se trata apenas de documentos de fontes religiosas, mas também de relatos de indivíduos que se opunham ferozmente a Ele e aos cristãos do primeiro e segundo século.

Estes registros, embora tenham diferentes perspectivas, convergem e concordam entre si a ponto de podermos afirmar com toda a tranquilidade que temos em mãos provas concretas de que Jesus Cristo não é um mito inventado por religiosos em séculos posteriores.

O mais curioso nestes registros históricos é o fato de que até mesmo aqueles que foram adversários de Jesus e do Cristianismo forneceram evidências valiosas e detalhadas da existência desse personagem tão singular e de seu culto.

Em estudos anteriores já analisamos o testemunho de duas fontes históricas contemporâneas a Cristo e ao cristianismo primitivo, as quais também podemos classificar como inimigos da fé cristã. Estamos falando de Tácito um renomado historiador, orador, etnógrafo e senador romano e Luciano de Samósata escritor retórico e satirista do século II d.C. Ambos deixaram registros bem completos sobre Jesus, os quais o leitor pode acompanhar na integra aqui nos estudos mencionados:

Existem evidências da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia?

Jesus Cristo e os registros históricos que comprovam a sua existência.

Este tipo de registro histórico não somente é considerado importante por terem sido feitos por inimigos do cristianismo, mas também por comprovarem todo o panorama de perseguição e execuções de cristãos mencionado no Novo Testamento e nos escritos dos Pais da Igreja, provando que a figura de Jesus não só existiu, mas que também teve um grande impacto já no primeiro e segundo século.

Você pode ler os capítulos anteriores dessa série:

 

Jesus Cristo comprovado por seu inimigo Plínio o Jovem, perseguidor e assassino de cristãos.

Quando usamos o termo “Jesus Cristo comprovado até por seus inimigos,” estamos nos referindo a personalidades históricas contrárias a fé cristã, perseguidoras de cristãos ou antagônicas a Jesus e seus seguidores. este é justamente o caso de Plínio o Jovem.  

Plínio o Jovem, também conhecido como Caio Plínio Cecílio Segundo, foi um proeminente político e escritor romano do século I d.C. Ele serviu como governador da Bitínia e Ponto, na região onde atualmente está localizada a Turquia.

Plínio escreveu uma série de cartas para o imperador romano Trajano, nas quais descreve sua administração e busca por orientações.

Uma das cartas mais relevantes para a discussão da existência de Jesus Cristo e dos cristãos é a famosa “Carta a Trajano” (Epistulae X.96). Nessa correspondência, Plínio descreve sua abordagem aos cristãos e como lidou com eles durante seu governo. Ele relata que já a muito vinha matando homens. mulheres, meninos e meninas.

Devido ao grande número de pessoas que estavam sendo mortas, tinha dúvidas se deveria continuar matando.

Plínio relata que muitos indivíduos foram denunciados como cristãos, incluindo pessoas de diversas classes sociais e até mesmo ex-membros do movimento.

Essas pessoas estavam sendo mortas por se dizerem cristãs. Seu único erro era terem o costume de se reunirem antes do amanhecer num certo dia determinado, quando então cantavam costumeiramente os versos de um hino a Cristo, tratando-o como Deus, e prometiam solenemente uns aos outros a não cometerem maldade alguma, não defraudarem, não roubarem, não adulterarem, nunca mentirem, e a não negar a fé quando fossem instados a fazê-lo.

Plínio explica na sua carta que fizera os cristãos se curvarem perante as estátuas de Trajano. Prossegue dizendo que ele também “os fez amaldiçoarem a Cristo, o que não se consegue obrigar um cristão verdadeiro a fazer.”

Embora Plínio não ofereça detalhes muito profundos sobre a vida de Jesus ou da teologia cristã, sua carta confirma a existência de uma comunidade cristã no início do século II d.C. Além disso, seu relato assim como o de Tácito e Luciano de Samósata trazem basicamente as mesmas afirmações sobre o pensamento dos cristãos em relação a Jesus, seus costumes e devoção, em nada discordando dos escritos do Novo Testamento.

 

Por que a carta de Plínio confirma o Novo Testamento e a existência de Jesus Cristo?

Plínio o Jovem escreveu a “Carta a Trajano” (Epistulae X.96) por volta do ano 112 d.C. Essa carta faz parte de uma coleção de correspondências entre Plínio e o imperador romano Trajano em um intervalo de tempo de aproximadamente 80 anos após a morte de Jesus Cristo.

Esse é um intervalo de tempo realmente muito curto! Qualquer um pode constatar ao ler essa carta que em apenas 80 anos depois da morte de Jesus Ele já era adorado como um Deus por seus seguidores.

É notório pelo texto da carta de Plínio que já existia uma tradição cristã religiosa amplamente estabelecida com muitos elementos teológicos encontrados no Novo Testamento, os quais podemos observar até os dias de hoje, e esta religião estava se expandindo e preocupando os romanos.

O mais interessante é que podemos ver nos registros de Plínio o mesmo cenário de perseguição e morte a cristãos que encontramos nos textos do Novo Testamento, comprovando que aquilo que lemos em Atos dos Apóstolos e nas epistolas realmente estava acontecendo na época em que a Bíblia afirma que aconteceu, já que o intervalo de tempo de escrita entre a carta de Plínio e o livro de Atos é de aproximadamente 20 a 30 anos apenas.

Qualquer historiador sério levaria todos estes detalhes em consideração e não cogitaria negar o fato de que este registro histórico é mesmo uma prova de que Jesus Cristo existiu, que os escritos sobre ele seriam verdadeiros de um ponto de vista histórico e que o Novo Testamento registra de maneira muito fiel o cenário daquela época em vários aspectos.

 

O que a carta de Plínio nos diz sobre Jesus Cristo e a comunidade cristã?

Na sua “Epistola 96” Plinio começa falando sobre o grande e rápido crescimento do Cristianismo na Bitínia, tanto nas regiões rurais como nas regiões urbanas.

Ele afirma de maneira preocupada que os templos romanos estavam sendo abandonados e aquilo estava prejudicando o negócio dos comerciantes que vendiam forragens para os animais sacrificados nos rituais.

Cristãos não negavam sua fé.

Estes acontecimentos o levaram a interrogar pessoas acusadas de serem cristãs sentenciando muitas delas a morte, conforme ele mesmo descreve:

“Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: perguntei a eles mesmos se eram cristãos; aos que respondiam afirmativamente, repeti uma segunda e uma terceira vez a pergunta, ameaçando-os com o suplício. Os que persistiram mandei executá-los pois eu não duvidava que, seja qual for a culpa, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. Outros, cidadãos romanos portadores da mesma loucura, pus no rol dos que devem ser enviados a Roma” – (BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.426)

Já nesse primeiro texto podemos observar que os cristãos primitivos interrogados por Plínio não negavam a sua fé, tampouco se envergonhavam de Cristo, ou mesmo deixariam de segui-lo e obedece-lo ainda que isto lhe custasse a vida.

Este comportamento é reforçado aos cristãos por meio dos ensinos do Novo Testamento nas seguintes passagens: Mateus 10:33, Marcos 8:38, 2 Timóteo 2:12, 1 João 2:22, 2 Pedro 2:1, Judas 1:4, 1 João 2:23, Mateus 26:35, Lucas 12:9, João 14:6, Atos 5:29.

 

Cristãos se reuniam para congregar, cantavam hinos adorando a Jesus como um Deus, seguiam diretrizes descritas no Novo Testamento.

Em um momento quando Plínio menciona pessoas que teriam sido acusadas de serem cristãs, mas que negaram a fé, no relato de sua carta a Trajano ele nos dá uma coletânea de detalhes bem interessantes:

“Todos estes adoraram a tua imagem e as estátuas dos deuses e amaldiçoaram a Cristo, porém, afirmaram que a culpa deles, ou o erro, não passava do costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus; de obrigarem-se, por juramento, a não cometer crimes, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição comum e inocente, sendo que tinham renunciado à esta prática após a publicação de um edito teu onde, segundo as tuas ordens, se proibiam as associações secretas” (BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.427)

Encontramos neste trecho a tradição cristã de congregar e se reunir costumeiramente. Isso também é um ensinamento cristão encontrado no Novo Testamento: Hebreus 10:25-27, Mateus 18:20.

Ainda é observado na carta a preocupação dos cristãos com a comunhão e o costume de se reunirem para comerem juntos, comportamento também encontrado em Atos dos Apóstolos e outros escritos do Novo Testamento: Atos 2:46, Atos 4:32, Atos 20:7.

Plinio também menciona a adoração a Jesus por parte dos cristãos com louvores o reconhecendo como um Deus. Podemos encontrar vários versículos no Novo Testamento que reforçam que este era realmente o posicionamento de fé dos seguidores de Jesus naquela época, que aliás perdura até os dias de hoje: João 20:28, Tito 2:13, 1 João 5:20, João 1:1-14, Colossenses 2:9, Apocalipse 1:8.

Além de tudo isso o pequeno texto de Plinio transcreve uma conduta de comportamento cristão no que se refere ao repudio a atitudes imorais, criminosas e contrárias aos ensinamentos de Cristo. Tudo isso é amplamente ensinado no Novo testamento e reforçado pelos Apóstolos em suas epístolas:

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Filipenses 4:8).

 

Por que alguém morreria por uma superstição ou por um Jesus que nunca teria existido?

O que muitos parecem não conseguir enxergar sobre os relatos de Plínio é que ele estava relatando um problema muito sério. Uma “superstição contagiante” que estava se espalhando, alcançando todo o tipo de pessoa sem distinção. Por conta disso, nas palavras dele, estaria decidido a exterminá-la, mesmo que para isso tivesse que matar uma multidão de pessoas:

“O assunto parece-me merecer a tua opinião, principalmente por causa do grande número de acusados. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e dos dois sexos, que estão ou estarão em perigo, não apenas nas cidades, mas também nas aldeias e campos onde se espalha o contágio dessa superstição; contudo, creio ser possível contê-la e exterminá-la” (BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.427-8).

Mas o fato mais interessante é que muitas dessas pessoas estavam dispostas a morrer por sua fé em Cristo, e muitas delas tiveram realmente esse destino.

Por que então alguém morreria por uma mentira?

E neste caso o argumento de que estas pessoas foram enganadas pelos Apóstolos, ou foram iludidas por uma falsa religião é completamente insustentável por vários motivos. Vamos citar alguns dos principais:

1. O cristianismo era relativamente jovem nessa época podendo ser facilmente desmentido.

Como já mencionamos anteriormente o intervalo da morte de Jesus até a carta de Plinio narrando esses acontecimentos é de apenas 80 anos. É um texto contemporâneo aos textos de Atos dos Apóstolos, com apenas 20 a 30 anos de intervalo entre eles. Qualquer um poderia desmentir os ensinamentos sobre Jesus se assim pudessem. Bastaria provar que tudo era mentira, que os tais fatos narrados sobre o Cristo nunca aconteceram, que Paulo, Pedro, João eram mentirosos e que nada daquilo era real.

No entanto o que observamos é que aquela situação não só era difícil de ser contida, como também o próprio Plinio e os seus sucessores nunca conseguiram destruir o cristianismo, provavelmente porque tudo aquilo era verdade.

2. Os Apóstolos também morreram pelo que acreditavam.

Se essa fé era uma mentira, por que seus principais disseminadores que foram os primeiros Apóstolos morreriam por ela?

Neste caso, não somente os Apóstolos morreram por aquilo que acreditavam, mas também milhares de cristãos do primeiro, segundo século e de séculos seguintes também o fizeram, inclusive os que são chamados de Pais da Igreja.

Portanto, podemos acreditar que é até possível que alguém possa morrer por uma verdade ou dar a sua vida por que foi enganado, mas acreditar que aqueles que supostamente teriam inventado tudo isso morreram por algo que sabiam não ser real é absurdamente improvável.

Os Apóstolos não só morreram por sua fé, como morreram de forma bem traumática. Foram esfolados vivos, decapitados, apedrejados até a morte, crucificados de cabeça para baixo e outras formas de martírio.

E tudo isso aconteceu exatamente em meados daquele tempo em que Plinio escreveu sua carta a Trajano, sendo este um dos principais carrascos causadores de todo este mal.

3. Os Apóstolos e convertidos da época só obtiveram sofrimento e dor com sua nova religião.

Dificilmente alguém seria iludido por uma fé que só lhes traria sofrimento. É improvável que multidões de todas as idades, incluindo pessoas de todas as classes, inclusive romanos, fossem capazes de se opor a Roma, deixar os seus ídolos, perder suas casas, seu sustento e até suas vidas simplesmente porque foram enganadas por uma “nova fé judaica” qualquer.

Se isso ocorreu e a Igreja Cristã resistiu as perseguições do século de Plinio e a todos os outros séculos de perseguição e extermínio que se seguiram, só seria possível caso realmente estas pessoas tivessem encontrado algo verdadeiro, que não pudesse ser desmentido por ninguém, e que fosse mais valioso que as suas próprias vidas.

“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.

O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.” (Mateus 13:44-46)

Portanto, mesmo que o Novo Testamento não precise exatamente de provas extras, ou de um outro registro histórico para ser considerado verdadeiro, é muito bom que documentos assim existam, principalmente quando eles partem de inimigos, que certamente não pretendiam produzir provas da existência de alguém como Jesus e ajudar uma fé que eles estavam decididos a fazerem de tudo para destruir. Portanto neste caso podemos afirmar categoricamente que Jesus Cristo é comprovado até por seus inimigos e isto é muito surpreendente.

Você pode ler os capítulos anteriores dessa série:

 

Fontes pesquisadas:

Epistulae X.96 Códice Vaticano Latino 4961

VOORST, Robert E. Jesus outside the New Testament: An introduction to the ancient evidence. Eedermnans, 2000, pp.23.

HABERMAS, Gary, Historical Jesus, College Press, 1996; pp.198.

BARNETT, Paul, Finding the historical Jesus, Eedermans, 2009, pp.60.

BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.426.