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Isaías profeta maior

Isaías, de crente morno a grande profeta

Isaías, de crente morno a grande profeta

Isaías profeta maior

Isaías foi um dos maiores profetas messiânicos de sua época, considerado o apostolo Paulo do antigo testamento pois possuía uma erudição impecável e escrita impressionante.

Foi um profeta sincero e dedicado, bem relacionado com à família real, e talvez por causa disso uma de suas filhas casou-se com o Rei Ezequias, neto de Uzias.

De acordo com Flavio Josefo, Isaías morreu martirizado pelo rei Manassés, que o amarrou em um tronco de árvore e o serrou ao meio com uma serra de madeira.

É tido até hoje como um dos maiores servos de Deus e ocupa a galeria dos heróis do Antigo Testamento.

No entanto aparentemente esteve morto e neutralizado espiritualmente por muitos anos de sua vida!

 

A vida sem desafios do Profeta Isaías e a grande reviravolta

Quando nos deparamos com o capitulo seis do livro do profeta Isaías é impossível não nos surpreendermos com a visão singular e ao mesmo tempo esclarecedora que este grande profeta recebeu de Deus.

Enquanto outros profetas de Deus viram o Senhor através de sombras e reflexos, ou mesmo contemplaram sua glória pelas costas como o fez Moisés (Êxodo 33:17,20,23), Isaías viu o próprio Deus sentado em seu alto e sublime trono.

Todavia, devemos lembrar que neste tempo Isaías não tinha um ministério muito vibrante na presença de Senhor.

Embora Isaias já profetizasse e proferisse inúmeros “ais” e mensagens de Deus ao seu povo, antes da narrativa do capitulo seis do seu livro, ele não parece ter tanta profundidade ou compromisso com Deus, pois o que observamos se desenrolar neste capitulo é uma verdadeira virada na vida do profeta.

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.

Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.

E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.’ (Isaias 6:1-4)

Ao contemplar esta passagem a primeira pergunta que nos vem à mente é o por que somente no ano em que o rei Uzias morreu Deus se manifestou ao profeta Isaias?

Muitos teólogos defendem a ideia que Isaías se sentia reprimido pela pessoa do Rei.

Conta a tradição judaica que Uzias apesar de ser um rei falho e desobediente, foi um governante muito inteligente e a frente do seu tempo.

Durante o período em que serviu ao Senhor foi auxiliado e abençoado por Deus, de maneira que a sua fama se espalhou grandemente.

Neste período Uzias foi responsável por edificar a Elate e a restituir a Judá.

Ele também venceu os filisteus em uma grande guerra, destruiu os muros das cidades filisteias de Gate, Jabné e Asdode, e também edificou várias cidades dentro do território de Asdode entre os filisteus.

Foi vitorioso contra os Árabes que habitavam em Gur-Baal, e contra os Meunitas.

Por ter se tornado um rei extremamente forte e possuir um reino poderoso foi agraciado com presentes por outros povos inclusive os Amonitas.

Uzias construiu enormes torres em três das portas de Jerusalém e as fortificou; edificou também torres no deserto, cavou muitas cisternas, preparou para todo o exército escudos, lanças, capacetes, couraças, arcos e até fundas para atirarem pedras.

Foi pioneiro em fabricar em Jerusalém máquinas, destinadas para as torres e cantos das muralhas, para atirarem flechas e grandes pedras.

Como rei Uzias foi notavelmente bem sucedido e aceito entre seu povo.

Conta-se que era grande guerreiro, ótimo administrador e também líder e motivador.

Sua influência no reinado revolucionou a arquitetura, agricultura e foi responsável pelo despontamento de invenções e equipamento bélico únicos em sua época.

Por causa desse sucesso, alguns alimentam a ideia de que Isaías não era desafiado a tomar atitudes ou a manter uma vida mais ativa diante de Deus, visto não haver muita necessidade.

Isto também ocorre com muitos crentes hoje em dia, que ao ficarem a sombra de outras pessoas supostamente mais capacitadas acabam por não desenvolverem o melhor de Deus para suas vidas.

No entanto no ano em que Uzias morre Isaías começa a se preocupar.

O grande vazio deixado pela liderança do Rei Uzias pode ter levado este profeta a clamar a Deus por respostas ou por ajuda.

Então Isaías tem a grande e memorável visão onde tudo estremece e ele contempla toda a grandiosidade de Deus que lhe estava encoberta anteriormente. Este período da história mudaria significativamente sua vida e seu ministério.

 

As adversidades nos tiram da zona de conforto e nos levam a receber mais de Deus

Enquanto Isaías viveu a sombra de Uzias ele não pode experimentar uma verdadeira e grande visão.

Por conta da segurança e a falta de desafios ele levava uma vida relapsa e seu ministério com Deus não parecia ser tão grandioso como posteriormente foi.

Deus no caso do profeta Isaias fez vir sobre ele a preocupação, a necessidade, para gerar um despertamento, antes de impactá-lo com uma grande visão e renovar seu ministério profético.

Isso nos leva a refletir que enquanto as coisas em nosso mundo particular estiverem bem e o nosso “Rei Uzias” que nos oferece cobertura e segurança não vier a morrer, não seremos obrigados a acordar do sono da negligencia e realmente buscar ao Senhor tomando as atitudes que precisamos tomar.

O plano para a vida de Isaías era bem maior do que o plano para o rei Uzias que morreu leproso por causa de sua exaltação.

Porém Deus precisava que o profeta tomasse uma atitude!

Muitos dos planos, sonhos e profecias de Deus para os seus servos só vão ocorrer quando estes tomarem atitudes para tal, quando começarem a dar os primeiros passos e se preocuparem com seu ministério e chamado.

O que nos mata geralmente e nos tira a capacidade de lutar não é a adversidade, mas a benção!

 

O reconhecimento do pecado

A segunda coisa que ocorre com o profeta Isaías é o reconhecimento de seus pecados.

Mesmo sendo profeta, Isaías era um homem de lábios impuros e condizia com aquele povo de impuros lábios.

Aparentemente Isaías sentia prazer nas conversas vãs daquele povo e concordava com elas, mesmo sabendo que era errado.

O profeta não se preocupava com as palavras que saiam de sua boca e constantemente desagradava o Senhor com tais palavras.

“Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.” (Isaías 6:5)

Geralmente isso também ocorre com cristãos que estão há muito tempo dentro de igrejas, acabam caindo em uma rotina religiosa onde pecados corriqueiros já fazem parte de sua trajetória.

Estes cristãos até são capazes de profetizar, louvar, crer, mas o seu compromisso é parcial impedindo-os assim de contemplarem as grandes visões de Deus em suas vidas.

Quando Isaías teve a grande visão de Deus, ele pode enxergar o Senhor em todo o seu poder, santidade, pureza, grandiosidade e em toda a sua glória. Esta visão tão clara contrastou imediatamente com os seus pecados e ele se sentiu imediatamente acusado por suas falhas.

Neste momento o arrependimento do profeta por sua conduta relapsa diante de Deus foi imediato.

Muitos cristãos já não se sentem cobrados por seus atos não porque não consigam discernir se o que fazem é errado ou não, mas justamente porque de algum modo não conseguem mais perceber a grandiosidade e santidade de Deus em suas vidas.

E por estarem distantes são incapazes de sentir qualquer toque ou acusação do Espírito Santo de Deus.

Todavia quando nos achegamos a Deus somos expostos como verdadeiramente somos, falhos medíocres, frustrados, de lábios impuros e vazios!

 

O problema não era somente o pecado

“Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado.” (Isaías 6:6-7)

Vemos nestes versículos que o principal problema de Isaías não era somente o seu pecado, mas a sua inercia em lidar com aquela situação.

Se Isaías procurasse o Senhor em qualquer outro momento de sua vida mesmo antes da morte do Rei Uzias é bem provável que o mesmo Deus poderoso tivesse se revelado a ele da mesma maneira maravilhosa que se revelou. No entanto Isaías não o fez.

As vezes o pecado pode até parecer uma grande barreira, mas isso não é de forma alguma verdade!

Vemos que bastou somente um posicionamento por parte do profeta e Deus já tinha um anjo pronto com uma tenaz nas mãos para purificar os lábios de Isaías.

E isto condiz com todas as passagens nas Escrituras a respeito do pecado.

As vezes as pessoas pensam que o pecado causa algum efeito em Deus, como se Ele fosse de alguma forma atingido, ferido ou enfraquecido pelos nossos pecados.

Mas a verdade é que nada atinge a Deus!

Como assim?

O pecado serve apenas para nos degradar.

Aquele que peca prejudica a si mesmo. Logo, Deus não pode ser atingido ou ferido por pecados.

Todavia Ele se entristece, pois está vendo sua própria imagem e semelhança ser destruída pelo pecado.

Quando mentimos, roubamos, nos prostituimos, falamos palavras obscenas e desagradáveis, ou praticamos qualquer outro tipo de pecado, vamos sofrer consequências que poderão ser tanto físicas, espirituais ou psicológicas.

Isto nos matará em vida e Deus não deseja algo assim para nenhum de seus filhos, porque logicamente os ama!

Quando Isaías sente seus pecados e se arrepende, Deus instantaneamente o purifica.

Limpar pecados é a especialidade de Deus!

Devemos então lembrar o exemplo de Isaías quando vislumbrarmos todas as promessas que Deus tem para nós.

Precisamos entender que nossos pecados e limitações não impedirão que Deus se mostre de forma grandiosa em nossas vidas, mas para isso é necessário que tomemos atitudes!

É comum que muitos cristãos ao olharem para as maravilhosas e grandiosas promessas de Deus cheguem a desacreditar que estas promessas possam se cumprir ou acontecer nas suas vidas.

Pois por causa dos seus pecados a maioria costuma pensar: “Estas promessas não são para mim, pois Deus deve ter alguém menos falho para usar!”

Mas lendo Isaías conseguimos perceber que as nossas limitações podem ser destruídas imediatamente no momento em que eu estivermos diante de Deus e de sua grandiosidade!

Se conseguirmos estar perto do Senhor apesar de nossas falhas e pecados, bastará apenas um anjo com uma tenaz nas mãos paras nos curar e purificar em questão de segundos.

Se pudermos estar perante Deus poderemos estar perante qualquer inimigo ou problema e certamente seremos vitoriosos!

 

Um grande ministério precisa passar por vários estágios

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Isaías 6:8)

É importante finalizamos esta mensagem fazendo uma analise de todos os estágios pelos quais o ministério profético de Isaías passou durante um tão curto espaço de tempo:

  • Ele descobriu a necessidade de não ter mais um rei que resolvia boa parte dos problemas da nação e indiretamente dos seus próprios problemas.
  • Teve que clamar naquele mesmo ano e se preocupar em atrair a atenção de Deus.
  • Foi impactado por uma grande visão que veio a mostrar-lhe que a vida com Deus era bem mais seria do que ele conseguia perceber anteriormente.
  • Precisou reconhecer os seus pecados e tentar servir de a Deus de uma maneira mais pura e dedicada.
  • Depois de tudo se ofereceu voluntariamente para ir onde o Senhor o enviasse.

 

No ultimo estagio para o chamado de Isaias depois de ser limpo Deus se manifesta de forma vaga não o comissionando diretamente, mas esperando que ele seja um voluntário. “Quem enviarei, e quem há de ir por nós?”

Deus não força a ninguém. Não estamos presos a um destino imutável.

Somos livres! Deus quer pessoas que o sigam por amor e não por medo ou obrigação.

Este foi o principal segredo do grande chamado do profeta Isaías.

Depois de ter visto o Senhor, de receber cura dos seus lábios impuros e ser tremendamente tocado, finalmente estava pronto para um grande ministério.

Portanto parece comum que para alguém ser usado por Deus esta pessoa precisará passar por processos constantes em sua vida de fé.

Moisés passou quarenta anos aprendendo a ser um egípcio.

Era líder e comandante de tropas, estudou para ser um faraó, passou quarenta anos achando que era “alguém.”

Depois disso fugiu para o deserto de Midiã, lá viveu mais quarenta anos aprendendo que não era “ninguém” e por fim mais quarenta anos vendo milagres e liderando o povo de Israel no deserto, contemplando o que Deus pode fazer através de um “ninguém!”

São estágios!

O deserto é importante.

O sofrimento por mais que não o aceitemos também é importante, as perdas e tudo mais.

Não se engane! Deus só usa quem tem história com ele!

Se alguém é um grande homem de Deus, um grande profeta ou líder é certo que só chegou onde está porque já andou muito tempo com o Senhor nos desertos da vida.