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Evidências da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia

Existem evidências da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia?

Existem evidências da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia?

Evidências da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia

“Alguns escritores podem brincar com a ideia fantasiosa de um ‘mito de Cristo’, mas não podem fazê-lo com base nos dados históricos. A historicidade de Cristo é tão axiomática para um historiador desprovido de preconceitos como é a historicidade de Júlio César. Não são os historiadores que propagam as teorias a respeito de um mito de Cristo.” (F. F. Bruce)

Geralmente quando alguém pergunta se existem provas confiáveis e concretas da existência de Jesus Cristo fora da Bíblia é na maioria das vezes porque considera os escritos do Novo Testamento um tanto tendenciosos, já que estes textos são conteúdos teológicos produzidos por cristãos.

É natural alguns que não possuem ideia de todo o panorama bíblico e histórico a respeito de Jesus e do cristianismo terem este tipo de desconfiança. No entanto como já discutimos no estudo anterior os Evangelhos e o Novo testamento satisfazem todos os critérios do método histórico-crítico e compõe uma importante coletânea de documentos históricos que atestam a existência de Cristo como pessoa real.

Para entender melhor sobre este assunto sugerimos a leitura do estudo anterior:

 “Jesus Cristo existiu? Entenda porque o Novo Testamento pode ser a prova concreta disso”

Mas voltemos a questão principal deste estudo: Se existiu um Jesus Cristo, a história endossa o relato da Bíblia sobre Ele?

No Novo Testamento o autor da Epistola de Pedro afirma categoricamente que todo o conteúdo pregado e enunciado por eles sobre Jesus Cristo não foi algo inventado:

“Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1.16)

Se tudo o que eles escreveram sobre Jesus Cristo for real deveriam existir outras provas sobre um personagem tão importante no contexto histórico não é verdade?

E realmente elas existem.

Existe uma tradição ininterrupta que pode ser seguida historicamente até o ano e pessoa em questão.

Esta tradição afirma que existiu um homem chamado Jesus que cumpriu com tudo o que é afirmado sobre ele, que seus ensinamentos levantaram uma multidão de discípulos que o consideravam um tipo de “homem-deus,” com uma linha de seguidores que remonta ao primeiro século.

Ainda que tenham havido algumas distorções ou mesmo corrupção em determinados momentos dessa linha sucessória, isso não anula sua existência histórica.

Cristo é mencionado historicamente por 42 autores numa sucessão de 150 anos de suas vidas. Nove autores tradicionais do Novo Testamento. 20 escritores cristãos fora da Bíblia. Quatro escritores heréticos e várias outras fontes não cristãs.

Você pode ler os capítulos anteriores dessa série:

Ou conferir os próximos capítulos nos links a seguir: 

 

Jesus Cristo é mencionado por Tácito um dos melhores historiadores romanos.

Antes mesmo de começarmos a listar e detalhar várias referências e citações de historiadores e figuras históricas fora da Bíblia que mencionaram Jesus Cristo, precisamos focar principalmente em uma citação que consideramos muito importante, feita pelo historiador romano Tácito, pois por meio desta única citação já conseguimos referenciar partes importantes do panorama do Novo Testamento.

Tácito ou mais formalmente Caius/Gaius (ou Publius) Cornelius Tacitus, foi um renomado historiador, orador, etnógrafo e senador romano, conhecido por suas obras sobre a história romana, como “Anais” (Annālēs) e “Histórias” (Historiae) dentre outras obras, fragmentos e cartas.

Suas obras são valorizadas como fontes importantes para a compreensão do período do Império Romano.

Embora as datas exatas de seu nascimento e morte não sejam conhecidas com precisão ele nasceu por volta do ano 56 ou 57 d.C., e sua morte é geralmente datada entre os anos 117 e 120 d.C. Seu legado como historiador e sua influência no campo dos estudos clássicos são amplamente reconhecidos.

Sua abordagem crítica, narrativa cativante e estilo literário o destacam como um dos melhores historiadores romanos, deixando um legado duradouro na historiografia antiga.

Em uma de suas obras intitulada Anais que foi escrita em c. 116–117 EC, inclui uma biografia de Nero. Nela existe um trecho de uma narrativa em 64 dC, quando durante um incêndio em Roma, Nero foi suspeito de ordenar secretamente o incêndio de uma parte da cidade onde queria realizar um projeto de construção, então tentou jogar a culpa nos cristãos.

Esta foi a ocasião para Tácito mencionar os cristãos, a quem ele claramente desprezava. Isso é o que ele escreveu:

“Mas nem todo o socorro que uma pessoa poderia ter prestado, nem todas as recompensas que um príncipe poderia ter dado, nem todos os sacrifícios que puderam ser feitos aos deuses, permitiram que Nero se visse livre da infâmia da suspeita de ter ordenado o grande incêndio, o incêndio de Roma. De modo que, para acabar com os rumores, acusou falsamente as pessoas comumente chamadas de cristãs, que eram odiadas por suas atrocidades, e as puniu com as mais terríveis torturas. Christus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à extrema punição [i.e crucificação] por Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma” – (TACITUS, Cornelius, Annales ab excesso div August. Charles Dennis Fisher, Clarendon Press, Oxford, 1906)

 

Por que a citação de Tácito é tão importante?

Resolvemos dar um pouco mais de destaque a citação de Jesus feita por Tácito por vários motivos:

Tácito desprezava os cristãos:

Tácito não era amigo da fé cristã, portanto podemos perceber que ele menciona a existência de alguém em quem não possuía nenhum interesse. Registrando principalmente a atitude de Nero em relação aos seguidores de Jesus.

Isso é claramente perceptível quando ele usa a expressão “superstição perniciosa” e “eram odiadas por suas atrocidades,” para se referir ao cristianismo, refletindo a visão negativa e comum entre os romanos da época.

Então é bem interessante observarmos aqui que Cristo e os cristãos não somente são citados por um historiador renomado, mas são mencionados por alguém contrário ao culto de Cristo e esse alguém não teria nenhum lucro ao fazê-lo.

O acontecimento narrado por Tácito ocorre ainda no primeiro século:

A citação de Tácito sobre os cristãos sendo culpados por Nero em relação ao incêndio de Roma acontece no contexto do reinado de Nero, que ocorreu entre os anos 54 e 68 d.C. O incêndio de Roma ocorreu no ano 64 d.C. Portanto, a referida citação se refere a esse período, logo após o incêndio de Roma.

Mas por que isso seria importante?

Se considerarmos a crença cristã de que Jesus Cristo foi crucificado e ressuscitou por volta do ano 30 d.C., então, no ano 64 d.C., teriam se passado aproximadamente 34 anos desde a morte de Jesus.

Esta citação está comprovando que naquele século, 34 anos antes do acontecimento narrado por Tacito, um homem chamado Jesus, denominado Cristo por seus seguidores, além de ter iniciado uma nova religião, ela também era bem relevante e bem organizada.

Este argumento destrói totalmente a ideia de que a religião cristã tenha se formado dois ou três séculos depois baseada em lendas e mitos construídos pelo Império Romano ou pela Igreja Católica.

O Cristianismo cresceu e chamou a atenção de Roma ainda no primeiro século:

Tácito também destaca em sua citação que o cristianismo não foi um fenômeno restrito apenas à Judéia, mas estava se expandindo e crescendo, a ponto de despertar a atenção e a preocupação das autoridades romanas, inclusive do imperador Nero, conseguindo se espalhar para a capital do Império Romano: “mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma.”

Este cenário narrado por Tacito é bem compatível com aquilo que vemos em Atos dos Apostos e nos textos do Novo Testamento.

 

O que a citação de Tácito nos confirma sobre Jesus Cristo e os Cristãos?

Basicamente a citação de Tácito nos fala o mesmo que o Novo Testamento já nos diz sobre Jesus e seus seguidores. Não existe nesta citação nada que contradiga o que já sabemos:

Tácito afirma que os seguidores de Cristo eram chamados de cristãos:

Segundo o Livro de Atos, os cristãos foram chamados de cristãos pela primeira vez na cidade de Antioquia, na província romana da Síria, por volta do ano 44 d.C. O versículo com essa referência é encontrado é Atos 11:26, que diz: “Em Antioquia, os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.”

Tácito menciona que os cristãos eram odiados.

Em todo o Novo Testamento temos textos e versículos tanto antevendo que os cristãos seriam odiados como também narrando os seus sofrimentos e perseguições por seguirem a Cristo, como podemos constatar em João 15:18-19, Mateus 10:22, João 17:14, e 1 Pedro 4:12-14.

Tácito confirma que Jesus era chamado de Cristo.

Nos Evangelhos, nas epistolas, no livro de Atos e na grande maioria dos textos bíblicos do Novo Testamento encontramos momentos em que Jesus é referenciado como Cristo pelos seus discípulos. Desde o conhecido versículo em Mateus 16:16 – “Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’.” a várias outras passagens como Lucas 2:11, João 20:31, 1 João 5:1, Atos 2:36, 1 João 5:1, etc.

 

Tácito confirma que Jesus foi crucificado por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério.

No contexto bíblico dos Evangelhos encontramos referências ao reinado de Tibério César, foi o segundo imperador romano, sucedendo Augusto. Ele reinou de 14 d.C. a 37 d.C. Durante o seu reinado, muitos eventos significativos, incluindo a vida e a morte de Jesus, ocorreram.

Ele é citado especificamente em Lucas 3:1 – “No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene.”

Já a crucificação de Jesus sob Pôncio Pilatos é mencionada principalmente em Lucas 23:1-3, Mateus 27:24-26 e João 19:16-18.

 

É possível que a citação de Tácito a Jesus e os cristãos seja uma falsificação?

Os céticos tentam sustentar a ideia de que a citação de Tácito a Jesus e os cristãos é falsa. No entanto, ela é considerada autêntica com base em várias evidências.

Em primeiro lugar, a citação de Tácito é encontrada em sua obra “Anais”, que é amplamente reconhecida como uma fonte histórica confiável sobre o Império Romano.

Tácito foi um historiador romano respeitado, conhecido por sua precisão e objetividade na descrição de eventos históricos.

A passagem em questão é consistente com outros relatos históricos e escritos cristãos primitivos. A perseguição aos cristãos e a crucificação de Jesus são eventos documentados em fontes cristãs, como os evangelhos do Novo Testamento e as obras dos Pais da Igreja, que corroboram o relato de Tácito.

Além disso, não há evidências significativas de falsificação ou adulteração dessa citação ao longo dos séculos. Os manuscritos antigos que contêm a obra de Tácito, incluindo o “Anais”, são consistentes em sua transmissão textual, o que aumenta a confiabilidade da citação.

Temos que levar em conta também que não é somente Tácito quem escreve sobre o grande incêndio de Roma por parte de Nero, mas Suetônio (c.69-122), em Vida de Nero, Díon Cássio (c.155-c.235), em História Romana também trazem mais detalhes sobre esse acontecimento, embora não mencionem os cristãos ou Cristo como Tácito o faz.

Então por que a descrição de um evento histórico por parte de Tácido poderia ser considerado falso? Seria só porque menciona detalhes e provas da existência de Jesus Cristo e os cristãos do primeiro século?

Por que não existem questionamentos aos relatos de Suetônio e Díon Cássio quando mencionam o mesmo evento? Seria porque eles não mencionam Jesus e os Cristãos?

Este tipo de argumentação é bem comum por parte de céticos e grupos de ateus, no entanto é completamente incoerente e desonesta.

Portanto qualquer alegação de falsidade deste registro visa unicamente destruir uma prova autentica onde cristãos e Jesus Cristo são citados diretamente, embora não sejam eles o objeto principal do texto, já que Tacito estava escrevendo sobre Nero.

 

Estaria Tácito errado ou citando apenas uma crendice cristã?

Outro argumento que costumamos ouvir constantemente sobre a citação de Tácito em relação a Jesus e aos Cristãos é que o historiador poderia ter cometido um erro por usar fontes erradas já que a sua obra Anais foi escrita aproximadamente 80 anos após a morte de Jesus e baseou-se em fontes e relatos anteriores. Esse argumento, no entanto, é pouco provável.

Tácito, assim como outros autores clássicos, não revela totalmente suas fontes utilizadas. Ele até menciona em Anais autores como Fabius Rusticus e o cônsul Marcus Cluvius Rufus cujas obras não sobreviveram, e o renomado escritor e filósofo Plínio, o Velho. No entanto, isso não deve diminuir a confiança em suas afirmações. Os estudiosos geralmente discordam sobre quais foram todas as suas fontes específicas, mas Tácito era, sem dúvida, um dos melhores historiadores de Roma, talvez o melhor de todos. Ele era meticuloso em sua escrita e sempre buscava a precisão.

É possível que Tácito tenha testemunhado o incêndio ou ouvido falar sobre quando tinha aproximadamente 8 ou 10 anos de idade.

Já em relação aos cristãos, no início de sua carreira, quando Tácito ocupava o cargo de procônsul da Ásia, é provável que tenha participado de julgamentos, interrogado pessoas acusadas de serem cristãs e pronunciado sentenças contra aqueles que considerava culpados. Isso era semelhante ao que seu amigo Plínio, o Jovem, também fez quando era governador provincial. Portanto, Tácito teve uma boa oportunidade de obter informações que, caracteristicamente, ele verificaria antes de aceitá-las como verdadeiras.

Também é mencionado por muitos uma teoria de que Tácito ao citar a morte de Jesus por Pôncio Pilatos estaria apenas reproduzindo uma narrativa cristã corrente e não fazendo uma afirmação histórica sobre Jesus e sua morte, pois segundo essa teoria os Evangelhos de Mateus Marcos e Lucas supostamente já estariam em circulação na época que os Anais de Tácito foram escritos e a “crendice” dos cristãos já era amplamente conhecida.

No entanto, essa visão é contestada por vários motivos. Primeiramente, os Anais de Tácito foram escritos por volta do ano 116 d.C. Nessa época, o cristianismo já estava estabelecido e difundido em várias partes do Império Romano, mas não era uma religião amplamente conhecida ou aceita pela sociedade em geral. Portanto, não se pode presumir que a menção de Tácito a Jesus e aos cristãos seja meramente uma repetição de uma narrativa cristã corrente.

Além disso, a maneira como Tácito menciona Jesus e os cristãos em sua obra sugere que ele estava fornecendo informações históricas com base em fontes disponíveis para ele.

Ele não aborda Jesus como uma figura divina, mas sim como um indivíduo crucificado durante o reinado de Tibério e cujos seguidores foram perseguidos. Essa descrição não se assemelha às narrativas cristãs contemporâneas que enfatizavam a ressurreição e a divindade de Jesus.

Portanto, embora seja possível que Tácito tenha tido algum conhecimento das crenças cristãs de sua época, sua menção a Jesus e aos cristãos nos Anais não pode ser simplesmente atribuída a uma reprodução acrítica de narrativas cristãs prevalecentes. É amplamente aceito que Tacito estava relatando eventos históricos e a perseguição aos cristãos durante o reinado de Nero com base em suas próprias pesquisas e fontes disponíveis para ele.

 

Por que outros historiadores contemporâneos a Tácito não mencionam o mesmo acontecimento?

A afirmação de que não existem outros registros a perseguição dos cristãos no período de Nero não é necessariamente verdadeira.

Essa ideia é as vezes difundida com o intuito de tentar invalidar ou desacreditar a citação de Tácito e levantar suspeitas em relação ao texto.

O fato é que nenhum outro historiador romano contemporâneo a época de Tácito faz menção a perseguição dos cristãos por parte de Nero ou mencionam o tal massacre após o incêndio.

Porém a ausência de outras menções específicas em obras históricas romanas da época pode ser atribuída a uma combinação de fatores, e também a perda de registros ao longo do tempo.

É importante mencionarmos que os historiadores romanos geralmente priorizavam eventos políticos e militares em suas narrativas, o que poderia explicar por que a perseguição aos cristãos não recebeu uma atenção tão significativa em suas obras.

Isso não diminui a importância da citação de Tácito, que é considerada uma fonte valiosa para entender esse período histórico.

Além do mais o contexto de perseguição dos cristãos é confirmado pelos testemunhos e escritos dos Pais da Igreja como Clemente de Roma que viveu no final do século I, aproximadamente de 30 a 100 d.C, Inácio de Antioquia que viveu no século I e início do século II, por volta de 35 a 107 d.C, Justino Mártir que viveu no século II, em 100 a 165 d.C, Tertuliano que viveu no final do século II e início do século III, aproximadamente de 155 a 240 d.C.

Clemente de Roma em sua Primeira Epístola aos Coríntios, menciona os sofrimentos e martírios enfrentados pelos primeiros cristãos, embora ele não faça referência direta à perseguição sob o reinado de Nero.

Inácio de Antioquia em suas Epístolas descreve os sofrimentos dos cristãos e exorta-os a permanecerem firmes em sua fé, enfrentando a perseguição com coragem. Ele terminou seus dias condenado à morte no reinado do imperador Trajano e enviado a Roma para ser devorado por animais selvagens em um espetáculo público. Inácio foi martirizado no ano 107 d.C., sendo considerado um dos primeiros mártires cristãos registrados.

Justino Mártir em sua obra “Apologia”, descreve a hostilidade enfrentada pelos cristãos, mencionando perseguições, calúnias e execuções por causa de sua fé. O próprio Justino foi inclusive martirizado no ano 165 d.C., durante o reinado do imperador Marco Aurélio. Ele foi preso e acusado de ser cristão, sendo condenado à morte por decapitação.

Tertuliano em seus escritos menciona a perseguição aos cristãos e defende sua fé contra os ataques e injustiças enfrentados.

O contexto histórico está cheio de referencias que corroboram com o que é narrado por Tácito, confirmando a constante perseguição aos cristãos. Por conta disso é bem coerente acreditarmos que a citação de Tácito está correta mesmo que outros historiadores romanos não tenham mencionado o fato.

Inclusive, Eusébio de Cesareia, historiador eclesiástico do século IV, relata em sua obra “História Eclesiástica” que Pedro e Paulo foram martirizados em Roma durante o reinado de Nero. Ele cita fontes anteriores, incluindo os escritos de Clemente de Roma, Orígenes e Dionísio de Corinto.

A tradição cristã primitiva, transmitida oralmente e por escritos dos Pais da Igreja, também menciona a morte de Pedro e Paulo durante o reinado de Nero em Roma e embora existam debates sobre isso, o cenário de perseguição, torturas e martírios não é questionado por ninguém senão por ateus e céticos dos dias atuais.

Você pode ler os capítulos anteriores dessa série:

Ou conferir os próximos capítulos nos links a seguir: 

Fontes pesquisadas:

[1] TÁCITO, Anais 15.44, ap. Evidência…, p. 104.

ARICI, AZELIA, (ed). Annali di Tacito, UTET, Turim 1983, ISBN 88-02-02665-3

MARQUES, J. B. 2012. Públio (Gaio) Cornélio Tácito. In: Parada, Maurício (Org.). Os Historiadores: Clássicos da História. Rio de Janeiro: PUC-Rio/Vozes, v. 1, p. 88-106. ISBN 978-85-326-4284-4

MELLOR, R. 2011. Tacitus’ Annals. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-515193-0

WALKER, B. 1952. The Annals of Tacitus: A Study in the Writing of History. Manchester. ISBN 978-0-71-900061-4

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. São Paulo: Martin Claret, 2004.

FINI, Massimo. Nero, o imperador maldito. São Paulo: Scritta, 1993.

WARMINGTON, Brian H. Nero, reality and legend. Norton: 1969

Tertuliano: Obra: “Apologeticum” (Apologético) Capítulo: 5

Eusébio de Cesareia: Obra: “História Eclesiástica” Livro: II Capítulo: 25

Orígenes: Obra: “Comentário sobre Mateus” Livro: X Capítulo: 17

“História da Igreja Primitiva: Da Era Apostólica até o Concílio de Niceia” de Everett Ferguson.

“The Early Christian World” de Philip Esler.

“The Cambridge History of Early Christian Literature” editado por Frances Young, Lewis Ayres e Andrew Louth.

“The Apostolic Fathers: Greek Texts and English Translations” editado por Michael W. Holmes.