Descoberta a mais antiga inscrição do nome de Deus, YHWH, que comprova relato bíblico.

Descoberta a mais antiga inscrição do nome de Deus, YHWH, que comprova relato bíblico.

YHWH Mais antiga inscrição do nome de Deus

“YHWH” é o nome de Deus usado na Bíblia Hebraica, conhecido também como o Tetragrama (quatro letras). Em hebraico, essas letras são: י (Yod), ה (He), ו (Vav), ה (He). É frequentemente transliterado como YHWH, Yahweh ou Javé.

Este nome é considerado muito sagrado no judaísmo e, tradicionalmente, não é pronunciado. Em vez disso, substituições como “Adonai” (Senhor) ou “HaShem” (O Nome) são usadas durante a leitura das escrituras. O nome “YHWH” é associado à auto-existência e eternidade de Deus, conforme revelado a Moisés no episódio da sarça ardente (Êxodo 3:14), onde Deus diz: “Eu sou o que sou” (Ehyeh-Asher-Ehyeh).

No cristianismo, o uso do nome “YHWH” varia entre diferentes denominações e traduções da Bíblia. Algumas traduções modernas usam “Senhor” (em letras maiúsculas) para representar o Tetragrama.

Existem várias descobertas arqueológicas onde encontramos o nome de Deus na forma do tetragrama “YHWH”. Até agora, as referências mais antigas ao nome de Deus eram a Pedra Moabita (Estela de Mesa), datada do século IX a.C. Essa inscrição em pedra do rei Mesa de Moabe menciona “YHWH” em um contexto histórico que descreve os conflitos entre Moabe e Israel. Também temos a inscrição de Soleb, um dos registros mais antigos conhecidos que menciona o nome “YHWH,” encontrada em uma lista de lugares na coluna do templo do faraó Amenhotep III em Soleb, no Sudão, datada aproximadamente do século XIV a.C.

Uma nova descoberta recente não só é agora considerada a mais antiga inscrição do nome de Deus, como também pode comprovar passagens bíblicas e nos servir como base para afirmar que Moisés pode realmente ter escrito o Pentateuco.

 

Nova Inscrição mais antiga do nome de Deus (YHWH) descoberta no Monte Ebal em Israel.

YHWH a mais antiga inscrição do nome de Deus
YHWH a mais antiga inscrição do nome de Deus, Lado A e Lado B

Arqueólogos do grupo americano Associates for Biblical Research anunciaram, em uma conferência de imprensa realizada na Biblioteca Teológica Lanier, em Houston, Texas, uma extraordinária descoberta: uma antiga inscrição hebraica contendo 48 letras, que é séculos mais antiga do que qualquer inscrição hebraica conhecida do antigo Israel. O mais surpreendente nesta descoberta é que ela contém a mais antiga referência ao nome de Deus na forma do tetragrama “YHWH.”

A descoberta foi feita em dezembro de 2019 no Monte Ebal, ao norte da cidade de Nablus. Trata-se de uma plaquinha de chumbo dobrada e pequena, do tamanho de um selo, medindo 2,5 centímetros de altura e 2,5 centímetros de largura. Embora a descoberta seja recente, o artefato estava contido dentro de sedimentos escavados durante as escavações arqueológicas no Monte Ebal na década de 1980, que provavelmente vieram da antiga estrutura de pedra chamada “Altar de Josué”, no alto da montanha.

A equipe de arqueólogos descobriu a tabuinha de chumbo usando um processo de peneiração úmida, onde os sedimentos são lavados com água. O artefato despertou interesse dos estudiosos da Bíblia não somente por ser, até então, o mais antigo exemplo escrito do nome de Deus, mas também pelo seu conteúdo, que corrobora um acontecimento bíblico narrado nas Escrituras.

 

Por que a descoberta da Inscrição de YHWH comprova o relato bíblico?

Altar de Josué encontrado no Monte Ebal
Altar de Josué encontrado no Monte Ebal

A descoberta da plaquinha de chumbo com o nome YHWH ajuda na comprovação da Bíblia por vários motivos. O primeiro deles é que seu conteúdo confirma passagens do livro de Deuteronômio e também de Josué.

Ao ser decifrado, o artefato continha uma maldição escrita que afirmava o seguinte: “Amaldiçoado, amaldiçoado, amaldiçoado – amaldiçoado pelo Deus YHW. Você morrerá amaldiçoado. Amaldiçoado você certamente morrerá. Amaldiçoado por YHW – amaldiçoado, amaldiçoado, amaldiçoado.”

No livro de Deuteronômio, na Bíblia Hebraica, mais especificamente em Deuteronômio 27 e Josué 8, Deus ordena ao antigo povo de Israel a recitar maldições sobre aqueles que não obedecessem à sua Lei no Monte Ebal, enquanto outro grupo de antigas tribos israelitas proclamava bênçãos no Monte Gerizim. Por conta disso, aquele local ficou conhecido como local de maldição, e vários artefatos, como a tabuinha recém-traduzida, foram deixados lá nos tempos antigos como memorial disso.

Em Josué 8:30, temos o registro bíblico de que Josué construiu um altar no Monte Ebal, e a tábua da maldição foi encontrada exatamente no local onde se acredita que o altar de Josué estava construído.

Scott Stripling, arqueólogo e diretor de escavações da Associates for Biblical Research (ABR), afirmou que a tabuinha da maldição encontrada no Monte Ebal pode ser uma evidência da história bíblica de Canaã e do povo Israelita:

“Temos um texto antigo que diz que os israelitas chegaram por volta de 1400 [a.C.], e depois temos evidências deles numa montanha onde a Bíblia diz que eles estavam, escrevendo uma língua que a Bíblia diz que eles usaram”, disse Stripling. “Acho que uma pessoa imparcial poderia estar disposta a tirar a conclusão, de que havia israelitas lá”.

O artefato recém-descoberto é o único exemplo conhecido de uma “tábua da maldição” encontrada neste local até agora. No entanto, é comum encontrarmos tábuas parecidas em outros sítios arqueológicos que datam dos períodos helenístico e romano, muito posteriores, por volta do final do século IV a.C.

Portanto, esta descoberta confirma as passagens bíblicas mencionadas anteriormente. Mas sua importância vai além disso no que se refere à confirmação das Escrituras conforme veremos a seguir.

 

A descoberta da Inscrição de YHWH pode mudar o que se pensa sobre a escrita hebraica.

A inscrição da tabuinha de chumbo encontrada no Monte Ebal nos trás um texto escrito bem mais antigo do que os Manuscritos do Mar Morto com uma diferença de até um milênio entre eles.

O texto data dos períodos da Idade do Ferro I ou da Idade do Bronze Final, por volta de 1.200 a.C., no máximo, e talvez já em 1.400 a.C. Ou mais cedo.

Esta descoberta é um grande argumento contra os céticos que afirmam que os textos bíblicos só começaram a ser escritos por volta de 700 a.C, pois segundo eles, os hebreus não eram alfabetizados antes desta data, portanto, todo texto bíblico que temos é na verdade datado de séculos bem posteriores ao que estes mesmos textos afirmam.

Muitos usam este argumento para afirmar categoricamente que Moisés não poderia ser o autor do Pentateuco e que os livros que levam sua autoria seriam na verdade escritos séculos e séculos depois, dando margem também para a afirmação de que Moises sequer teria existido.

A descoberta da placa de chumbo sugere que a escrita hebraica pode ter raízes mais antigas do que se pensava anteriormente. Isso indica que, mesmo antes do período tradicionalmente associado a Moisés, os antigos israelitas já utilizavam algum tipo de escrita.

Portanto, ainda que a placa em si não comprove nada em relação a autoria do Pentateuco, ou mesmo sobre a existência de Moisés, ela mostra que é perfeitamente possível que os hebreus escrevem até antes de Moisés. Logo, seria perfeitamente plausível que Moisés, de origem hebraica, mas criado e educado no Egito, conhecesse muito bem a escrita dos hebreus a ponto de ter a capacidade de escrever o Pentateuco.

É crucial também destacarmos que este novo texto da inscrição de YHWH, não é apenas um exemplo de escrita hebraica, mas também uma composição sofisticada, estruturada em um “paralelismo quiástico” meticulosamente equilibrado.

Esse estilo cruzado de escrita é comum em muitos textos bíblicos e frequentemente considerado um sinal de escrita “desenvolvida”, típica de períodos posteriores. Nos últimos anos, a datação das primeiras inscrições hebraicas tem sido continuamente revisada para épocas mais antigas.

 

Outras descobertas arqueológicas que mencionam o nome de Deus como YHWH.

Embora a tabuinha de chumbo encontrada no monte Ebal seja hoje a descoberta mais antiga que temos do nome de Deus, existem outros artefatos e inscrições que também mencionam este mesmo nome em um contexto bem antigo.

Diversas descobertas ao longo dos anos trouxeram à luz referências ao Tetragrama em contextos históricos significativos, ajudando a conectar os relatos bíblicos com evidências tangíveis. Vamos mencionar algumas das descobertas mais importantes relacionadas ao nome “YHWH”.

1 – A Inscrição de Soleb:

Inscrição de Soleb mencionando Deus YHWH
Inscrição de Soleb mencionando Deus YHWH

Uma das referências mais antigas conhecidas ao nome “YHWH” é encontrada na inscrição de Soleb, no Sudão. Esta inscrição é datada aproximadamente do século XIV a.C. e foi encontrada em uma lista de lugares na coluna do templo do faraó Amenhotep III em Soleb. A inscrição menciona “YHWH” em um contexto que sugere a presença de um grupo de pessoas adoradoras de YHWH no Egito durante o reinado de Amenhotep III. A inscrição de Soleb é particularmente importante porque é uma das menções mais antigas do nome de Deus, ligando-o a um período muito anterior às outras inscrições conhecidas.

2 – A Pedra Moabita (Estela de Mesa):

Outra referências bem antigas ao nome “YHWH” é encontrada na Pedra Moabita, também conhecida como Estela de Mesa. Datada do século IX a.C., esta inscrição em pedra foi feita pelo rei Mesa de Moabe. A estela descreve os conflitos entre Moabe e Israel e menciona “YHWH” em um contexto histórico. A descoberta da Pedra Moabita é significativa porque fornece uma das primeiras menções extrabíblicas do nome de Deus, ligando-o diretamente a eventos históricos documentados nas Escrituras.

3 – A Inscrição de Kuntillet Ajrud:

A Inscrição de Kuntillet Ajrud.
A Inscrição de Kuntillet Ajrud.

Este é mais um achado importante, a inscrição de Kuntillet Ajrud, um sítio arqueológico no deserto do Sinai. Datada do século VIII a.C., esta inscrição menciona “YHWH de Samaria” e “YHWH de Teman”. As inscrições foram encontradas em vasos e paredes de edifícios, sugerindo que o culto a YHWH estava disseminado em várias regiões. Kuntillet Ajrud é significativo porque indica uma prática religiosa que reconhecia YHWH em diferentes localidades, reforçando a ideia de um culto monoteísta em desenvolvimento.

4 – A Inscrição de Khirbet el-Qom:

Inscrição de Khirbet el-Qom.
Inscrição de Khirbet el-Qom.

Em Khirbet el-Qom, outra inscrição datada do século VIII a.C. menciona “YHWH”. Esta inscrição, encontrada em uma tumba, é uma oração ou bênção que invoca YHWH. Ela fornece mais evidências de que o nome de Deus era amplamente venerado e invocado em contextos pessoais e religiosos. A inscrição de Khirbet el-Qom, juntamente com outras descobertas, contribui para a compreensão do desenvolvimento do monoteísmo israelita.

5 – A Estela de Tel Dan:

Descoberta em Tel Dan, no norte de Israel, a Estela de Tel Dan é outra evidência arqueológica significativa. Datada do século IX a.C., a estela é uma inscrição em aramaico feita por um rei arameu, provavelmente Hazael, que menciona a “Casa de David” e faz referência a “YHWH”. Esta descoberta é importante porque não só menciona o nome de Deus, mas também corrobora a existência da dinastia davídica, mencionada na Bíblia.

Ainda existem várias outras inscrições e descobertas que mencionam Deus com seu nome na forma do tetragrama, no entanto faremos um estudo mais completo e aprofundado sobre cada uma delas em outro estudo.

 

Qual o intervalo de tempo entre os três registros mais antigos do nome YHWH?

Com base na informação fornecida sobre a descoberta da placa de chumbo no Monte Ebal, aqui está um resumo dos intervalos de tempo entre as três descobertas mencionadas:

1 – Placa de Chumbo do Monte Ebal: Datada aproximadamente de 1.200 a.C. a 1.400 a.C., possivelmente a mais antiga inscrição conhecida do nome de Deus em hebraico.

2 – Inscrição de Soleb: Datada aproximadamente do século XIV a.C., sendo a segunda mais antiga das três, cerca de 400 a 600 anos antes da placa de chumbo do Monte Ebal.

3 – Pedra Moabita (Estela de Mesa): Datada do século IX a.C., cerca de 800 anos após a placa de chumbo do Monte Ebal.

Portanto, o intervalo de tempo entre estas descobertas varia consideravelmente, com a placa de chumbo do Monte Ebal sendo potencialmente a mais antiga entre elas, seguida pela inscrição de Soleb e, por último, a Pedra Moabita.

Sabemos que ainda faltam estudos e artigos a serem publicados sobre a descoberta da tabuinha de chumbo do Monte Ebal. Muitos pesquisadores e estudiosos de várias áreas pretendem submeter esta descoberta a testes e tentativas de refutação, mas ainda que no futuro se descubra uma datação mais recente, ou mesmo alguma falha na interpretação do que está escrito neste artefato, mesmo assim teremos inúmeras outras referências e descobertas arqueológicas que confirmam um culto bem antigo ao Deus adorado pelos hebreus.

 

Conclusão:

A descoberta da inscrição de YHWH no Monte Ebal marca um avanço significativo na arqueologia bíblica. Oferecendo a mais antiga referência conhecida ao nome de Deus, esta inscrição não só corrobora passagens bíblicas de Deuteronômio e Josué, mas também desafia teorias sobre a alfabetização hebraica e a datação dos textos bíblicos. A sofisticação do texto, com seu uso de paralelismo quiástico, indica que a escrita hebraica era desenvolvida muito antes do que se pensava.

Esta descoberta sugere que os antigos israelitas possuíam uma rica tradição literária por volta de 1.200 a.C. a 1.400 a.C., sustentando a possibilidade de que Moisés, ou seus contemporâneos, poderiam ter escrito o Pentateuco. Em suma, a placa de chumbo do Monte Ebal não só valida elementos das Escrituras, mas também nos convida a reconsiderar a história da escrita e da religião no antigo Israel.

Cada nova descoberta nos aproxima mais da compreensão de nossa herança cultural e espiritual, reforçando a ligação entre a arqueologia e a narrativa bíblica.

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Monteiro Junior

Pastor e estudante das Escrituras, idealizador do Projeto "O Pesquisador Cristão." Estudou Teologia e Sistemas de Informação. Atualmente dedica-se a pesquisas relacionadas a História do Cristianismo, Novo e Antigo Testamento. Acredita e defende a "busca e compartilhamento do conhecimento nos tempos modernos..."

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Monteiro Junior

Pastor e estudante das Escrituras, idealizador do Projeto "O Pesquisador Cristão." Estudou Teologia e Sistemas de Informação. Atualmente dedica-se a pesquisas relacionadas a História do Cristianismo, Novo e Antigo Testamento. Acredita e defende a "busca e compartilhamento do conhecimento nos tempos modernos..."